quinta-feira, 6 de junho de 2013

Distócia Emocional - O estado emocional da mulher pode atrapalhar o trabalho de parto?!


Sim, o estado emocional de uma mulher tem grande influência no desenvolvimento do seu trabalho de parto. Quando isso acontece chamamos de distócia emocional!

O que é a distócia emocional!?
É quando um trabalho de parto não evolui como deveria por questões psicológicas da mulher.

E essa “não evolução” pode levar a um trabalho de parto muito longo ou a liberação de hormônios de situações de estresse que interrompem a dinâmica uterina. A situação pode causar estresse ao bebê, diminuição do fluxo de oxigênio e consequentemente a necessidade de uma cesariana de urgência. Por isso a questão é grave e precisamos pensar em como prevenir a distócia emocional!

Como a distócia emocional se manifesta?!
Um caso típico é a mulher que sente uma dor absurda logo no início do trabalho de parto. É verdade que a dor é algo subjetivo, no entanto, podemos perceber quando ela é desproporcional à situação, concordam?! Por exemplo, uma criança que ralou o joelho e chora o mesmo tanto que a criança que quebrou a pena! Tem algo errado nessa situação! Provavelmente essa criança esta se comportando assim por algum outro motivo, válido e importante, ma

s não apenas pela dor! E precisamos entender o que esta acontecendo para melhor acolhê-lo!O mesmo vale para uma gestante no início do trabalho de parto que sofre com uma dor absurda durante as contrações, e às vezes fora das contrações. Uma dor maior inclusive do que a que a maioria das mulheres relatam sentir num período expulsivo, que se caracteriza por um trabalho de partointenso e contrações longas, quase sem intervalos entre si. Para essa mulher não adianta nem mesmo a anestesia! Inclusive a anestesia no início do trabalho de parto pode ser um complicador que leva a uma cesariana! Essa dor pode significar o medo de algo maior do que a da dor do parto! Medo, violência, desamparo, medo do que está por vir, medo do já aconteceu, medo de repetir! Como a mulher se preparou para essa dor? Como superar esse medo antes que vire uma distócia emocional? Como acolher essa dor durante um trabalho de parto? Diferentes técnicas psicológicas e de alívio não farmacológicas de alivio da dor, podem ajudar!

Outro caso comum é uma mulher que a dilatação não evolui ou a dinâmica uterina não é eficiente (isso é, as contrações permanecem curtas e com baixa intensidade). Sabemos que cada mulher tem sua evolução no parto e especialmente as primíperas podem ter uma evolução lenta, com um trabalho de parto demorado. Mas, se observamos que o trabalho de parto caminha bem, o tempo entre as contrações diminui e é ritmado, a mulher movimenta se livremente e escolhe as suas posições, não apresenta cansaço e exaustão do esforço, não está fraca por falta de alimentação, e mesmo assim, depois de horas não há evolução do trabalho de parto... Precisamos entender o que acontece! Já vi casos em que a mulher estava inibida com a presença de um médico homem, outros inibida com a presença do marido. Não sentiam se confortáveis com a sua nudez. Já vi casos que o trabalho de parto só evoluiu depois que a mulher saiu de sua casa. Isso porque em casa, com a presença da mãe e da sogra, o clima era tenso e ansioso, impedindo que a gestante se entregasse ao seu processo!

Podemos também observar a distócia emocional no período expulsivo do trabalho de parto. É normal no momento do expulsivo, pelos hormônios liberados para acelerar a saída do bebê, a mulher passar por sentimentos de euforia e pânico, numa alternância rápida e dinâmica. O problema é quando esse sentimento toma conta da mulher, instalando uma situação de medo, que impede que ela perceba o puxo e direcione as sua força, junto às contrações, para a expulsão do bebê, isso é, seu nascimento. É uma sensação de paralização e desespero, manifestado inclusive junto a uma desorganização no ritmo respiratório da mulher! Esse é um caso grave e dificilmente há tempo hábil para uma cesariana! A abordagem da equipe e dos acompanhantes será fundamental para que a mulher supere esse momento e consiga trazer seu bebê ao mundo!

O que podemos fazer durante essas situações?!
O primeiro passo é identificar a não evolução do trabalho de parto pela distócia emocional. Identificando a situação, doulas, acompanhantes e demais profissionais de saúde, precisam buscar as causas da distócia e procurar eliminá-la o mais rápido possível!

Se for algo no ambiente ou a presença de alguém, retirar a pessoa ou modificar o ambiente. Fazendo o que for necessário. Ajudar a mulher a concentrar se no seu trabalho de parto, usando a parte instintiva do seu cérebro, percebendo seu corpo é também muito importante. Para isso pode ser necessário mudar coisas no ambiente, como luzes, barulhos, posições e pessoas. Ou pode ser necessário um trabalho direto com a mulher. Ajudá-la a controlar a respiração. A compreender a dor como a chegada de seu filho e não algo que a ameaça. Abraçá-la se for necessário. Conversar e argumentar quando for o caso! Ficar em silêncio e evitar o toque se for esse o caso!

É sempre uma situação dinâmica e quanto melhor o acompanhante, a doula e o restante da equipe conhecerem essa gestante, quanto maior o seu vínculo, melhor, mais rápida e mais efetiva será a intervenção!

Mas o ideal é evitar que essa situação aconteça!
E como podemos fazer isso?!
O primeiro passo é a mulher informar se e preparar se para o seu parto!
Se ela for protagonista do seu parto, estará no controle da situação!
Deve entender o que vai acontecer, saber como lidar com a dor, e tirar da sua cabeça as imagens assustadoras de parto que vemos na televisão!

É importante que construa a sua imagem do seu trabalho de parto. O que deseja?! Como vai construir essa situação?!
São perguntas fundamentais e um bom ponta pé para a construção do seu Plano de Parto.

Importante também a mulher se perguntar de que ela tem medo! Já falei disso em outrotexto e acho esse um passo muito importante! Durante a gestação diferentes medos surgem na nossa mente e coração! Alguns que sempre tivemos e outros que não sabíamos existir. E reconhecê-los é fundamental para podermos trabalhá-los antes do parto. Mesmo que eles pareçam bobos ou sem fundamento, devemos ouvi-los e nunca ignorá-los!


Uma querida psicóloga que trabalha comigo sempre ressalta que é importante trabalharmos o nosso parto! Isso é, como nascemos?! O que aconteceu nesse dia?! Quais os medos, traumas e mitos da família?! Precisamos primeiro nos resolver, aceitar e entender como nascemos para podermos trazer outra vida ao mundo! Uma boa forma de começar não?!

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