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terça-feira, 19 de julho de 2011

Refluxo - sintomas reais e dicas uteis!

O refluxo gastroesofágico é o retorno do alimento do estômago para a boca. Ele ocorre por uma insuficiência do esfíncter esofágico, que pode ser fisiológico, patológico ou acontecer de vez em quando por um evento atípico. O refluxo é aquela sensação de queimação na garganta que sentimos às vezes com um arroto ou depois de vomitar, sabe. Se ele acontece com muita frequência o incomodo passa a ser insuportável e o ácido do estômago, passando muitas vezes na garganta leva a dor, ao invés de apenas arder. Ai sim, podemos dizer que é patológico e passa a ser necessário um tratamento. Ele é fisiológico em bebês menores de seis meses, onde ocorre as famosas golfadas. E se elas forem frequentes pode passar a incomodar, o que exige também uma atenção.

Vamos focar aqui nesse refluxo fisiológico, ou nas golfadas frequentes nos bebês menores de 6 meses. Isso porque até os 6 meses os bebês devem estar em aleitamento materno exclusivo e ai as recomendações são uma, depois dessa idade, com a introdução de alimentos os sintomas e recomendações são outros!

Nesses primeiros 6 meses as dicas são bem gerais mesmo e fica fácil falarmos aqui na net, mas depois disso as atenções são outras e uma consulta com uma fonoaudióloga torna-se necessária para as orientações mais adequadas a situação de cada criança.

Se o seu bebê apresenta os seguintes sintomas, ele pode estar nesse caso de refluxos fisiológicos que necessitam de maior atenção (não vamos dizer que é patológico aqui, pelo o que já discutimos no post anterior, quem não viu, clica aqui). Então vamos aos sintomas:

- Golfa em grande quantidade em todas as mamadas (grande quantidade é grande mesmo e a mãe vai saber!).

- Mostra-se muito irritado e chora com sinais de dor.

- Recusa mamar, especialmente nos momentos em que está muito irritado.

Se esses sintomas se somam é hora de se perguntar:

- Meu bebê mama na mamadeira? Se sim, a primeira medida urgente é voltar para o aleitamento materno exclusivo. O leite materno tem a absorção mais rápida do que os leites de vaca ou artificiais, diminuindo a probabilidade de refluxo. Caso não seja possível, vale uma consulta com uma fonoaudióloga para saber orientações especificas nesses casos.

- Meu bebê mama em excesso? É raro, mas pode acontecer. Se acha que é seu caso, passe a oferecer o peito em livre demanda, mas quando seu bebê mostrar sinais de fome. E fome não é sugar a mãozinha ou a roupa, isso é apenas reflexo de sucção!

- Meu bebê está irritado por algum outro motivo que não diretamente relacionado a amamentação? Lembrem-se que os sintomas deve se somar e muitas veze o choro ou irritabilidade tem outras causas que não a amamentação e a recusa do peito esta mais relacionada com o nervosismo e ansiedade da mãe do que do próprio bebê.



Depois de pensar e observar esses pontos e você chegar a conclusão que realmente os sintomas se somam, vamos as dicas do que podemos fazer para evitar o refluxo fisiológico e diminuir o desconforto do bebê!

- Não deixe ele chorando!!!! Responda rapidamente ao choro do seu filho, que precisa de carinho e atenção. O choro aumenta o refluxo.

- Ofereça uma chupeta. Sugar acalma e diminui bastante o desconforto causado pela queimação do refluxo. Lembre-se que nesses casos a chupeta é como um remédio, então quem tem controle sobre ela é você e não o bebê. Isso quer dizer que deve oferecer quando achar que ele precisa se aclamar e depois de calmo ela deve ser retirada. Você pode inclusive segurar a alça dela e puxar, fazendo a contra resistência e estimulando que seu filho sugue com mais força, o que vai acalmá-lo mais rápido. Atenção para a chupeta adequada!!!

- Divida as mamadas. Ou seja, ofereça a mesma quantidade de leite no dobro do tempo. Tente dar um intervalo de 15 minutos no meio da mamada ou oferecer o peito mais vezes para que o bebê mame mais vezes menores quantidades.

- Ofereça o peito com seu bebê sentado ou o mais vertical possível para o conforto de ambos.

- Depois de mamar segure ele na posição vertical por pelo menos 30 minutos. Uma boa forma de fazer isso é usando slings ou wraps. Que ainda tem a vantagem de mantê-lo bem pertinho do corpo da mãe, sentindo assim calma e segurança. Aproveite para escutar o coração batendo e a respiração encadeada.

- Não deixe que ele se agite nessa meia hora após a mamada. A agitação pode levar ao refluxo!

- Eleve a cabeceira do berço em aproximadamente 30 graus. É mais eficiente a elevação da cabeceira do que o uso de colchões e travesseiros anti refluxo. Isso vai exigir uma serie de almofadas para evitar que seu bebê escorregue no berço.

- Quando deitá-lo no berço coloque-o sempre de lado, virado para o lado
esquerdo. Apóie com almofadas para que permaneça nessa posição. Isso diminui o refluxo e é também uma posição mais segura, evitando a aspiração.

Junto com todas essas dicas, acredito que vale a pena procurar o tratamento homeopático, que não apresenta efeitos colaterais e tem bons resultados em situações como essa.

Depois disso tudo se a situação do seu bebê não mudar, ai sim vale a pena considerar medicamentos mais invasivos, mas que terão sua ação somada a esses cuidados e serão utilizados com uma recomendação especifica e clara, tomando-se todos os cuidados necessários!

domingo, 17 de julho de 2011

A Moda do Refluxo em Bebês

Sempre me preocupo quando um diagnóstico vira moda. Sabe aquela doença que era rara e quase não ouvíamos falar e, de repente, todo mundo aparece com ela? Isso é especialmente preocupante entre as crianças, já que esses “novos diagnósticos” levam a um excesso de medicamentos, o que pode influir diretamente no desenvolvimento delas.

É claro que hoje em dia muito se descobre sobre doenças e novos medicamentos surgem. Mas, em alguns casos, o que acontece é que a informação insuficiente ou incorreta leva a um diagnóstico precipitado ou errado por parte dos médicos. E, em outros casos, é mais confortável diagnosticar e medicar para não ter que se ocupar da criança.

Na minha percepção o refluxo e uma das últimas novidades de diagnóstico entre bebês. Parece que, de uma hora para outra, muitos bebês começaram a ser diagnosticados com

Refluxo Gastroesofágico e tratados com medicação. Medicamentos que tem inclusive efeitos colaterais neurológicos e que apresentam pouquíssimos estudos em bebês.

Ultimamente tenho visto muitas mães com bebês de 1 mês, 3 meses, relatarem que seus filhos estão usando medicamento para refluxo. Quando pergunto como chegaram a esse diagnóstico com tamanha rapidez e indicação do medicamento, elas relatam que foi em apenas um ou duas consultas com o pediatra.

O motivo que fico tão assustada nesse caso do Refluxo é que, até onde sei, bebês até os seis meses tem uma imaturidade fisiológica do esfíncter esofágico, que tem como principal função no nosso organismos a de impedir o alimento de retornar do estomago para a garganta e a boca e, por isso, é comum observarmos as famosas golfadas. Bebês golfam e, muitas vezes, em todas as mamadas, mas isso não é diagnóstico de refluxo. Aprendi que se poderia diagnosticar refluxo gastresofágico patológico em bebês após os seis meses, quando observamos, entre vários sinais, a esofagite. Sempre soube que o diagnóstico de esofagite em bebês antes dos seis meses é extremamente raro.

Não entendi ainda o porque dessa parente mudança repentina de conduta de muitos pediatras e inclusive não encontrei evidências científicas na literatura que demonstrem que esse meu conhecimento esta ultrapassado!

Aprendi também que todos os remédios alopáticos têm grande impacto no organismo do bebê, exatamente por ser muito jovem e com poucas proteções desenvolvidas, por isso deveríamos evitar a hipermedicalização, utilizando os medicamentos e dosagem adequadas nos momentos oportunos. Bom, não sou médica, sou fonoaudióloga e Doula, portanto não receito remédios, mas procuro sempre me informar sobre os medicamentos indicados aos meus pacientes e seus efeitos colaterais, que podem influenciar diretamente no cuidado que estou prestando. E ai fico pensando se um medicamento com efeitos neurológicos e que impacta na amamentação do recém nascido não deveria ser indicado apenas como último recurso.

E acreditem, existem muito outros recursos que podem ser usado nos casos de refluxo gastroesofágico e nos casos de bebês que golfam muito, ou seja, que estão incomodados, mas ainda não se pode diagnosticar como um refluxo patológico.

Acredito que é muito importante que as mães e pais questionem o excesso de medicamentos dado aos seus filhos, que busquem outras alternativas de tratamento antes de chegarem a mais extrema, além de pensarem se realmente aquele diagnóstico se aplica ao seu filho ou se ele não é apenas o mais confortável para a família ou os médicos.

Esse texto veio como um desabafo! No próximo post vou retomar a idéia original dele, falar dos sintomas do refluxo e das estratégias de tratamento antes de chegar ao recurso do remédio alopático!