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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Anjos e Brisas


Para uma amiga especial...



Você viu um anjinho passar por aqui?!

Eu vi.
Ele chegou como uma brisa
De leve. De mansinho.


Primeiro trazendo surpresa e estranhamento
Para depois virar sorriso
Sorriso de alegria
Como se fosse a brisa aliviando o calor, bem de mansinho.

Ai o sorriso virou um beijo que iluminou o coração.
Depois um abraço que envolveu cada um que estava do lado.

Como a leve brisa que tomou conta do quarto
O amor ganhou espaço e encheu o ventre e o coração.

Mas o anjinho se foi
Deixando para trás a lembrança do toque suave da brisa

Agora os dias são longos
E as noites com os sonhos muito curtas
No primeiro momento da manhã, após abrir os olhos, o coração respira aliviado.
Só até o próximo segundo, quando se lembra da saudade do anjinho com toque de brisa.

Um dia a tristeza e a dor vão passar
Ficando apenas a saudade do beijo de brisa que trouxe amor e do abraço que envolveu todos na alegria do anjinho que passou por aqui.

Ai talvez o coração possa entender qual era missão desse anjinho que veio abrindo caminho para os outros que ainda vão chegar.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

A luta das mulheres pelo direito ao seu corpo


Na semana passada tivemos um importante ganho para a nossa sociedade. O STF decidiu que em caso de bebês anencéfalos as mulheres tem o direito a interromper a gravidez. Foi um julgamento com muitas opiniões fortes e longo, gerando uma grande movimentação no país, se quiser saber mais, CLICA AQUI.

Esse julgamento foi importante porque a decisão foi tomada pelo direito das mulheres. Isso mesmo, a decisão não é importante porque autoriza aborto em caso específico, já que esse é um passo da lutas das mulheres, e sim porque foi tomada tendo como base o princípio da igualdade e o direito da mulher. Essa luta precisa continuar e não basta nos contentarmos com a autorização de abortos em casos de anencefalia, precisamos continuar lutando pelo direito das mulheres ao seu corpo e a decidir sobre a sua saúde reprodutiva e sexual. Exigir a descriminalização do aborto e uma atenção adequada do governo para as mulheres que fazerem a sua opção.
O que isso significa?

Primeiro que a mulher é livre para fazer suas escolhas, assim como são os homens. Que ela decide se quer engravidar ou não, sozinha ou em conjunto com seu companheiro, mas que a decisão seja sua. Ela escolhe se quer levar a gravidez adiante e em que condições essa gravidez deve acontecer. Ela decide sobre o seu pré natal. Ela decide sobre o seu parto. Ela decide sobre a interrupção da sua gestação.

Vamos entender bem que ninguém está dizendo que a mulher deve fazer um aborto. Essa é uma decisão individual, de acordo com as crenças de cada mulher. Mas caso ela decida interromper ou continuar a gestação deve ter o suporte adequado do Estado. Isso significa que se decide ter o bebê, que ela tenha direito e acesso a um pré natal de qualidade, a um parto digno e humanizado sem intervenções desnecessárias... e que esses direitos continuem para a criação do bebê, como garantia de moradia, alimentação e educação. Agora, se ela decide interromper, tem o direito a ter um suporte psicológico e de profissionais treinados que a ajudem a decidir e a apoiem durante os momentos difíceis, tem direito a um atendimento digno e humanizado durante o procedimento, assistido por profissionais capacitados.

Isso tudo quer dizer que o Estado precisa garantir não só uma boa assistência à mulher, mas também uma orientação à prevenção da gravidez, a mulheres e homens, e um auxílio adequado e real para o planejamento familiar. E planejamento familiar com orientação à prevenção não pode significar só oferecer pílulas e camisinha nas Unidades Básicas de Saúde, tem que ser um programa que enfrente os preconceitos da sociedade quanto ao uso de anticoncepcionais e camisinhas, que enfrente os problemas sociais específicos de cada região e que acolha as famílias dentro de suas singularidades.

Significa também que a mulher não pode ser considerada criminosa ao decidir interromper a sua gravidez. Ela esta exercendo sua liberdade de escolha e não cometendo um crime ediodondo. Não merece ser trancafiada e isolada da comunidade. Não merece ser separada brutalmente de sua família, filhos, amigos, companheiros e companheiras por ter usado o seu direito de decidir sobre a sua vida.

O Estado deve ser laico e garantir o direito de todos os cidadãos, e por isso essa luta, pelo direito de decidir, pela liberdade sexual e reprodutiva. O Estado também não pode continuar ignorando que milhares de mulheres hoje morrem por realizar abortos em casa ou em clínicas clandestinas. Não pode continuar deixando desamparadas as adolescentes grávidas, que assustadas demais com o inesperado não conseguem apoio da família ou dos profissionais de saúde seja para qual decisão tomarem. O Estado não pode exigir das mulheres que levem adiante uma gravidez sabendo que não tem condições de dar uma vida digna àquele bebê que vai nascer.



Vamos lutar juntas pelo direito das mulheres de decidirem!!!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Direito das Mulheres - Anencefalia e Aborto


Hoje é um dia importante no nosso país!
O Supremo Tribunal Federal (STF) julgará a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54, proposta em 2004 pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Saúde (CNTS), que decide sobre a criminalização do aborto de fetos anencéfalos.

Todos devemos estar atentos a essa decisão porque ela tem grandes e sérios impactos sobre a nossa sociedade e especialmente sobre a liberdade das mulheres. Isso mesmo, sobre a liberdade das mulheres. Isso porque o que esta sendo decidido é se a mulher tem ou não o direito de decidir sobre o seu corpo e a sua gravidez. Especificamente no caso de anencefalia, mas com impacto posterior nas decisões sobre o aborto!

Queremos viver em uma democracia, com liberdade e igualdade, certo? Então como uma mulher pode ser considerada criminosa por tomar uma decisão quanto a sua vida e seu corpo?

Afirmamos sempre que o parto é da mulher e não do médico. Que as intervenções devem ser consensuais. Que precisamos humanizar o parto, o pré natal, o cuidado com a mulher, gestante, com o bebê. E porque então deveria ser do governo ou de um juiz a decisão sobre levar a diante ou não uma gravidez?

E porque o governo deve dar assistência para a mulher durante a gravidez e o parto, mas não dá a assistência para um aborto seguro e bem orientado? Se queremos diminuir a mortalidade materna os cuidados com a grávida devem sim passar pela questão do aborto, acompanhada de uma boa orientação para o planejamento familiar.

Ricardo Herbert Jones, um obstetra humanista, de Porto Alegre, publicou no seu perfil um texto legal sobre o assunto, que reproduzo aqui...

"Esse é um tópico muito difícil de produzir concordância, quanto mais um consenso. Cada um vai se expressar a partir do seu próprio viés sobre o tema. E esse viés não é necessariamente racional, mas construído sobre a arquitetura dos sentimentos, emoções, vivências e... um verniz de racionalidade, fino e quase imperceptível, mas que nos oferece a ilusão de que nossas construções de valores se assentam sobre a rocha firme da razão.

Balela... Tudo o que se diz sobre eutanásia, aborto ou anencefalia é PURO sentimento, e qualquer das posições pode ser racionalmente defendida ou mortalmente atacada. O que me parece digno de debate é a LIBERDADE de escolher qual o caminho a seguir, responsabilizando-se pelas rotas trilhadas e suas naturais consequências. Assim, eu acho razoável que uma família, com base nos seus valores (humanitários, religiosos, morais, etc.) escolha acolher uma criança nessa situação. Para estas, o sofrimento, a entrega, a devoção e o cuidado podem representar um aprendizado quase impossível de ser adquirido em qualquer outra situação de vida.

Por outro lado, posso facilmente entender que a ablação das porções superiores do encéfalo, impossibilitando por completo uma vida de relação, possa ser a justificativa para abreviar (ou evitar) uma existência condenada ao mutismo relacional. Mais do que considerar "certo" ou "errado" prefiro pensar no dilema ético de permitir a escolha e a livre decisão. Ao contrário de assumir uma postura dogmática, fechada, cerceadora e preconceituosa eu prefiro a dor de determinar meu próprio destino, pagando o preço inexorável das decisões complexas."

Ricardo Jones