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terça-feira, 26 de abril de 2011

As novas tecnologias e o brincar

Atualmente, com a evolução e a expansão da tecnologia, o computador passou a fazer parte do dia a dia de muitas crianças. A imitação, sendo um dos principais e mais ricos mecanismos de adaptação e desenvolvimento, leva-a a querer fazer igual, copiar, inclusive as mímicas e a postura de quem digita e a procurar obter resultados similares. O computador trabalha com a realidade virtual e, aos poucos, a criança faz a associação do que acontece na tela com os comandos que dá.


A tecnologia não determina ou condiciona a forma de se conhecer e representar a realidade, mas justamente pelo fato de que certas técnicas facilitam e aumentam incrivelmente o armazenamento, processamento e intercâmbio de dados possibilitaria uma visão mais ampla, uma perspectiva mais profunda e complexa da realidade, deixando mais espaço para a iniciativa, composição e a interpretação pelo homem
dessa leitura. Da mesma forma que uma faca ou uma tesoura podem servir tanto para cortar uma folha de papel como o dedo da criança, o computador e o video game podem ser uma ferramenta útil e prazerosa, contribuindo para a criação e execução de projetos socioculturais, como pode ser prejudicial e perigosa, dependendo de como e com que objetivo é utilizada.

Hoje em dia existem jogos no computador para todas as idades e com os mais diferentes objetivos (jogos de luta, jogos que imitam a realidade, jogos de quebra cabeça). Existem também inúmeros sites na internete dedicados exclusivamente à crianças. Brincando no computador ou video games, sem deixar de lado as demais brincadeiras, uma vez que tudo em excesso é prejudicial, a criança só está se inserindo em seu meio, seu tempo, sua cultura, inclusive com a utilização criativa e eficaz de sua tecnologia. Cada época tem sua riqueza e seus desafios. A vida caracteriza-se justamente por não voltar atrás.

domingo, 24 de abril de 2011

Aprendendo Brincando - Bricando para Aprender

O Brincar é a condição de todo o processo evolutivo neuropsicológico saudável, que se alicerça nesse começo, manifesta a forma como a criança organiza sua realidade e lida com suas possibilidades, limitações e conflitos. Introduz a criança de forma gradativa, prazerosa e eficiente ao universo sócio-histórico-cultural.

O brincar do bebê tem uma importância fundamental na construção de sua inteligência e de seu equilíbrio emocional, contribuindo para a sua afirmação pessoal e integração social. Quando o bebê brinca com seu corpo está trabalhando o reconhecimento, quando brinca de abrir e fecha inúmeras vezes o mesmo pote está trabalhando o ritmo. Quando brincamos com eles de PUDI (esconder o rosto, mesmo que a trás das mãos e depois reaparecer – Cadê a mamãe? - Acho!!!) estamos ajudando-o a trabalhar a perda e a ausência da mãe, com a crença de que ela retornará. O caráter cíclico da atividade lúdica, com temas opostos, expressa simbolicamente que está aprendendo a esperar e a suportar a tensão e a frustração da separação. Quando o bebê confia a brincadeira ganha em movimento, exploração, interação e inovação, a confiança, esperança e ansiedade se manifestam no sorriso.

Durante o segundo ano de via a inovação maior são as atividades simbólicas, verbais, imaginárias ou imitativas. A brincadeira simbólica representa a realidade que a criança vê e sente. Quando brinca de casinha a menina expressa o desejo de ser mãe e imita o que acontece a sua volta, também vive intensamente a situação de poder gerar filhos e de ser uma boa mãe. Dramatizar o vivido ajuda a criança a firmar-se como pessoa e a externalizar sentimentos e pensamento.

A agressividade faz parte do nosso psiquismo, sendo mesmo indispensável à nossa sobrevivência. É difícil para os pais entenderem e aceitarem que seus filhos possam ter pensamentos negativos, mas é preciso, para que possam externalizá-los e trabalhá-los. Quando os meninos brincam de lutinha, fingem ser super heróis ou vilões, tornam os sentimentos visíveis e possíveis de serem controlados. Tão importante quanto dar condições à criança de brincar é dar limites claros e objetivos, que a ajudem a trabalhar sua impulsividade, onipotência e sua voracidade, assim como a aprender a lidar com sua própria destrutividade.

No faz-de-conta coletivo ainda não há a colaboração e/ou competição que surgirão mais tarde no jogo de regras, mas já está presente a necessidade de respeitar o outro, para poder ser aceita no grupo. Existe um grande prazer de aprender a brincar com os outros em uma situação imaginaria. Ao aprender a lidar com possíveis frustrações de não ver seus desejos sempre realizados, de ter de esperar sua vez para jogar, a criança passa a ser mais flexível e maleável, aprende a lidar com os imprevistos do percurso. Aprende também a utilizar sua memória, de situações semelhantes, a fim de se sair melhor na situação atual. Funções cognitivas são, dessa forma, constantemente ativadas e agilizadas. O grupo propõe, estimula, desafia, negocia, decide. Acolhe e rejeita, num contínuo movimento de progressivos ajustamentos recíprocos.

Nos rituais contidos nas brincadeiras infantis a criança é introduzida de forma viva e significativa ao mundo das regras sociais e morais, que contém a seriedade e o compromisso do respeito a um contrato estabelecido.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Transição Alimentar

  Quando o bebê chega aos seis meses, após esse delicioso período de amamentação exclusiva, começa o período chamado de transição alimentar. É a hora de introduzir novos alimentos e isso pode trazer muitas angústias para as mães. Esse sentimento vem das dúvidas, da importância de manter seu filho bem alimentado e da dificuldade em descobrir as preferências do pequeno!

O mais importante para diminuir essa angústia é lembrar que a transição alimentar é gradual. Não acontece de uma hora para a outra. Os novos alimentos não vão substituir o leite por ainda um bom tempo! Se tem uma coisa que criança sabe fazer é reclamar quando estiver com fome, então, não se preocupe muito. Se seu filho comer pouco e estiver com fome, logo vai se manifestar, desse jeito que você já conhece. E aí, não deixe de oferecer o tão querido peito! Uma dica importante é lembrar também de tornar os momentos da refeição descontraídos e agradáveis, sem muita pressão de que precisa comer uma determinada quantidade e sim com a ideia de que é uma experimentação!

Porque a introdução de alimentos deve começar aos 6 meses?
Essa é uma idade de referência. Não quer dizer que precisa ser exatamente no dia do aniversário de 6 meses. O que acontece nessa idade é que o corpo do bebê já começa a precisar de mais nutrientes do que o leite materno consegue oferecer sozinho. E nesse momento, após um bom tempo de amamentação, o sistema estomatognático do seu bebê já está pronto para receber novos alimentos e para continuar se desenvolvendo bem precisa começar a mastigar. Isso significa que a boca, língua, dentes, estomago e intestino do bebê estão preparados para receber os alimentos e exercer novas funções.

É o início de um aprendizado!

Então, logo que oferecemos o suco em um copinho com bico de pato (as mamadeiras não são necessárias!!!) eles não vão saber como sugar para sair o líquido. Vai demorar um tempo até entenderem que o movimento é diferente do que fazem no peito. E podem também fazer uma bagunça! Para isso os copinhos com válvula ajudam bastante.

O intestino pode demorar a voltar a funcionar regularmente. Vale investir em alimentos com fibras naturais para ajudar a manter seu ritmo!

A colher (de preferência de silicone, que são mais confortáveis) também será uma novidade. No início não vão aceitá-la ou não deixam colocar na boca e outros acabam sempre mordendo a colher. Outros bebês já querem eles mesmos segurar as colheres! O que é muito legal! A bagunça, mais uma vez, faz parte do aprendizado! Vá de vagar, oferecendo uma colher e deixando que ele segure a outra! Não coloque a colher toda na boca, já que os pequenos têm ainda no início da alimentação o reflexo de vomito anteriorizado. A melhor forma de oferecer é colocar a colher só na pontinha da boca/língua e apoiar no lábio superior para tirar a comida. Aos poucos eles vão começar a abrir o bocão e deixar a colher entrar toda na boca, tirando eles mesmo o alimento!

As diferentes consistências são muito importantes!

A hora é de experimentar... o gosto, a consistência e os pedaços!!!!
Então a comida não deve ser batida e sim amassada! Pequenos pedaços vão ajudar a criança a descobrir diferentes possibilidades na sua boca! É normal elas tirarem pedaços da boca para observar o que são!

A comida deve ser gostosa! Os bebês normalmente preferem comidas e frutas mais doces, já que o leite materno é mais adocicado! É importante introduzir os alimentos gradativamente, escolhendo um ou dois por semana. Assim, podemos observar melhor os gostos e possíveis alergias.

Aliás, evitar alimentos alergênicos (frutos do mar, gema do ovo, nozes...) é muito importante, pelo menos no primeiro ano de vida. Devem ser evitados nesse período também alimentos em grão, ácidos e açucarados, além das frituras. O tempero pode ser o mesmo usado no dia a dia da casa, mas com menor intensidade. Aos poucos, a quantidade do tempero pode aumentar, assim como a consistência dos alimentos vai passando de amassado para pedaços. Esse “aos poucos” é pela observação mesmo da mãe!

Não deixe de insistir no alimento algumas vezes antes de determinar se seu filho gosta ou não. Estudos falam em até 7 vezes. Mas se a recusa for grande, vale a pena deixar esse alimento de lado e voltar a oferecer só daqui umas duas semanas, evitando momentos traumáticos!

Ah! Lembre-se que se a criança estiver empurrando o alimento com a língua para fora não é porque não gostou e sim porque ainda não sabe mastigar e está imitando o movimento que faz com a língua ao sugar no peito. Aos poucos vai aprender a mastigar!

Uma dica legal é estabelecer desde o início uma rotina! Se o bebê for aprendendo aos poucos que naquele horário vai ter uma novidade na comida, vai passar a ver esse momento como um desafio prazeroso! O início de uma boa relação com a comida!

E por último, não se esqueça de oferecer os alimentos em um momento que estiverem com fome. Já que as crianças não sabem o que é comer por gula! No início vão comer bem pouquinho mesmo, e vai demorar até que substituam uma refeição pelo seio materno. Isso só vai começar a acontecer mesmo por volta de 1 ano, quando já estão comendo quase a mesma comida que os adultos da casa!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Aprendendo a ser Mãe e Pai

Aprender a ser Pais

 

Quando decidimos ter filhos sentimos muitas esperanças e muita ilusão, imaginando a maravilha e o milagre que é trazer ao mundo um novo ser. Frequentemente pensamos que sabemos tudo o que é necessário, e que podemos confiar em nossos instintos. Este sentimento de que tudo será perfeito é comum à maioria dos pais de primeira viagem.

Também é certo que logo nos sentimos muito ansiosos pela responsabilidade, pelo desajeito, por nos sentirmos incapazes de compreender o que acontece com este ser tão pequeno quando a única coisa que ele sabe fazer é chorar, quando algo o incomoda. Desejamos que o tempo passe e que o bebê já comece a falar para que possa comunicar o que lhe dói e o que necessita.

Quando a criança já cresceu um pouco, e surgem outras dificuldades, novamente pensamos que quando cresça um pouco mais tudo será mais fácil. E assim seguimos, esperando que chegue o momento em que não nos angustiemos com nosso filho. Mas a experiência demonstra que o filho será nosso filho até o fim de nossos dias, y seguiremos com as angustias e incapacidades porque não fomos educados nem treinados para ser mãe e pai. Nos vemos sem ferramentas para essa grande tarefa e nos cabe improvisar, inventar e aprender a ser pais.

Nos esquecemos de como nos sentíamos quando fomos crianças, e trazemos dentro de nós mesmos sistemas de idéias e crenças com as quais queremos nos impor como autoridade frente aos filhos.

Muitas vezes, nós pais nos esquecemos de observar aos filhos com cuidado e descobrir a magia da comunicação através de uma escuta atenta, do carinho, do olhar nos olhos, vendo a profundidade do ser, reconhecendo quão diferente é essa pessoa que temos diante de nós, apesar de ser nosso próprio filho.

Os filhos necessitam perceber e sentir que durante a infância os pais estão presentes vendo suas necessidades, sendo capazes de cuidá-los e guiá-los enquanto não sabem para onde ir. Sabendo também que “o autoritarismo esmaga, e a permissividade afoga.” Os filhos necessitam de uma atitude firme e respeitosa que lhes permita confiar na capacidade de seus pais para dirigir suas vidas enquanto são pequenos. Os pais caminham adiante orientando-os, mas não carregando os filhos em suas costas e sendo escravos de seus desejos.

As vezes escolhemos a opção de ser muito permissivos,  nos esquecendo de colocar limites e dar referências claras, pensamos que o melhor é ser “amigo” do filho, imaginando que assim estaremos mais perto dele. E na verdade o filho necessita de uma mãe e de um pai como referências claras que lhe dêem apoio e que lhe confrontem com a realidade. Amigos êle já encontrará na vida por si mesmo.

Na nova geração de pais, com o desejo de não repetir os erros e abusos de seus progenitores, alguns são muito compreensivos com seus filhos e lhes dedicam toda sua atenção, porém ao mesmo tempo se mostram fracos e inseguros para ocupar a posição hierárquica que lhes corresponde, incapazes de respeitar-se a si mesmos e de fazer valer suas necessidades frente aos desejos dos filhos.

Outros pais, envolvidos demais com suas profissões e em seu trabalho não têm tempo para os filhos, são pais ausentes que tentam compensar essa falta de presença e atenção com presentes, dinheiro e um excesso de permissividade. Os filhos crescem com muita solidão e liberdade, porém com falta de referências e de contato afetivo e humano.

As dificuldades na relação com os filhos, às vezes, tem a ver com sentimentos ocultos, não expressados nem reconhecidos, com falhas de comunicação entre o casal, e com mensagens contraditórias que a mãe e o pai dão aos filhos. O pai e a mãe terão que perceber quão importante é a unanimidade de critérios dentro do casal frente aos filhos para que estes possam crescer equilibrados e confiantes.

Por isso, mães e pais necessitam ter espaços de reflexão para explorar as dificuldades e encontrar alternativas para exercer uma maternidade e uma paternidade desde o coração, apoiados por uma razão flexível e ampla, buscando transformar o lar em um lugar aonde o filho possa sentir-se amado, compreendido e com possibilidades de desenvolver seu potencial.

Os pais necessitam ver suas limitações, desconectar-se da culpa e conectar-se consigo mesmos e com sua capacidade amorosa e respeituosa frente aos filhos.

A experiência nos tem demonstrado quanto os pais estão buscando formas de comunicar-se com seus filhos, porém se perdem em seus próprios sistemas de idéias pré-concebidas desde sua família de origem. Eles crescem com muitos ideais e esperanças de formar sua família com bases diferentes (em geral opostas) daquilo que viveram em sua infância e adolescência. Percebem muito rapidamente suas limitações e incapacidades, ainda que tentando manter o papel de pais. Se perdem com freqüência justamente quando repetem (consciente ou inconscientemente) aquilo mesmo que lhes havia tolhido a espontaneidade e expressividade genuína em seu próprio desenvolvimento.

Essa cadeia se perpetua de alguma forma de geração em geração. Estamos em um momento crítico a nível mundial aonde o poder de poucos gera violência, tensão, desconexão, impotência, isolamento, na maior parte da humanidade.

Para que nossos filhos tenham a possibilidade de romper esse “status quo” é muito importante que nós como pais possamos questionar nossos valores e idéias condicionadas, permitindo-nos abrir o coração com humildade e sinceridade, dando assim o exemplo que as crianças e jovens de hoje necessitam para crescer conectados com a força e verdade intrínseca que lhes permita transformar a atual realidade destrutiva.

Além da relação entre pais e filhos ocorre um fator cada vez mais frequentemente que é a dos pais separados, estes constituindo outras famílias.

Essa situação influi muito no desenvolvimento dos filhos, pois a separação dos pais já é em si mesma algo que provoca muitas dificuldades para todos envolvidos.  Por um lado estão os pais com seus conflitos, gerando mensagens contraditórias aos filhos, por outro lado a culpa e o desejo de compensá-los gera confusão em muitos níveis. Quando entram novos parceiros e novos filhos (seja do (a) novo( a) companheiro (a) ou meio-irmãos) as crianças (e/ou adolescentes) da família original necessitam adaptar-se à nova situação, e raramente têm espaço, tempo ou capacidade de compreender a enorme gama de emoções que aparecem. Se vêm obrigados a viver a nova situação gerando uma avalanche de problemas e dificuldades, que geralmente não são levados em conta a não ser superficialmente ou apenas em torno aos sintomas que surgem.

O tema da relação pais e filhos é complexo e ao mesmo tempo fundamental para que a nova geração encontre possibilidades reais de transformação e evolução.
                                                                                                         Suzana Stroke

(transcrição da introdução de um workshop para pais em Interser Gestalt, Madrid, 2006).