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quinta-feira, 27 de junho de 2013

O pediatra mandou dar ferro para meu filho, será que precisa mesmo?!

Essa é uma pergunta super comum nos grupos de mães e amamentação do facebook! Toda mãe deveria fazer essa pergunta sempre! E vou ressaltar, não é porque a mãe deve sempre duvidar do pediatra, e sim porque ela deve se corresponsabilizar pela sua saúde e a saúde do seu filho, e parte desse processo é ter a informação, entender o que está acontecendo e assim tomar as melhores decisões para a sua família. É o empoderamento colocado em prática!

Então vamos entender melhor essa história do ferro!!

O primeiro ponto é que a amamentação deve ser exclusiva até o seis meses!! Isso significa que bebês a termo e saudáveis não tem motivo nenhum para tomar ferro ou qualquer outra vitamina, complemento ou remédio!

Depois dos seis meses o Ministério da Saúde, observando as principais doenças em crianças até dois anos, criou um programa de suplementação de ferro no país todo, chamado Programa Nacional da Suplementação de Ferro. Esse programa aborda as crianças de 6 a 18 meses, gestantes a partir da 20a semana e mulheres até o 3o mês pós-parto.

Esse programa tem como principal objetivo prevenir as doenças, por isso as crianças devem começar a tomar antes de apresentar algum sinal de anemia ou baixa de ferro no sangue!

Quando devo começar a dar o ferro para meu bebê?
Depois dos seis meses, idealmente junto com o início da transição alimentar!

Até quando a criança deve tomar o ferro?!
Até os 18 meses, lembrando que além da suplementação preventiva, deve-se sempre buscar uma alimentação saudável e a ingesta de alimentos facilitadores da absorção de ferro, como alimentos ricos em Vitamina C, bem como evitar os dificultadores, como refrigerantes e chás.

Fonte de informação:
Manual operacional do Programa Nacional de Suplementação de Ferro / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. - Brasília : Ministério da Saúde, 2005.

Manual de orientação: alimentação do lactente, alimentação do pré-escolar, alimentação do escolar, alimentação do adolescente, alimentação na escola / Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia. - São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento de Nutrologia, 2006.


quinta-feira, 14 de março de 2013

Receitinhas para insucesso na amamentação – Parte 4


Essa é a lista de receitinhas de insucesso na amamentação que mais assusta as fonoaudiólogas! Mamadeiras, bicos e chupetas, além de interferirem na amamentação prejudicam o desenvolvimento ósseo e muscular da face. Isso quer dizer que o bebê não receberá estímulos adequados para esse crescimento ou receberá estímulos deletérios, ou seja, que prejudicam. Se prejudica o desenvolvimento ósseo e muscular da face pode interferir em diferentes pontos, mais na frente na vida do bebê, sendo eles:

- Na respiração – a amamentação estimula a respiração nasal, mas bicos e mamadeiras levam o bebê a usar também a boca para respirar. E o ar passando ela boca e não exclusivamente pelo nariz interfere mais ainda no desenvolvimento ósseo e muscular do bebê.

- Postura de boca– estimulam o bebê a ficar com a boca semi aberta e anteriorizada, isso pode levar a uma hipotonia dos músculos, que depois prejudicará o desenvolvimento da mastigação, e ainda, no futuro, criando a necessidade de uso de aparelhos ortodônticos.

- Postura de língua – estimulam o bebê a fica com a língua para baixo e para frente, o que depois pode interferir na posição dos dentes, na fala e na mastigação.

- Posição dos dentes – se o uso de bicos e mamadeiras prolonga-se até o nascimento do dentes eles podem interferir na posição em que os dentes nascem, levando posteriormente a necessidade de uso do aparelho ortodôntico.

- Fala – se esse uso também se estende até o inicio do desenvolvimento da fala, vai interferir na sua inteligibilidade, podendo causar distúrbios que sejam necessários a intervenção fonoaudiológica.



    10-      Uso da mamadeira
Oferecer a mamadeira ao bebê pode causar uma confusão de bicos. Realmente não acontece com todas as crianças, mas pode acontecer. E isso significa que na confusão de bicos, ou melhor confundindo as formas de sugar, o bebê pode ficar nervoso, sem saber como mudar do peito para a mamadeira. Em geral os bebês vão optar por recusar o seio materno, já que nele a sucção exige maior esforço. Esse esforço ele é essencial para o desenvolvimento ósseo e muscular da face e ele não acontece na mamadeira.

Não é com isso dizer que o bebê é preguiçoso. É dizer que ele suga pela necessidade de saciar a fome. Se sugar na mamadeira a fome é saciada mais rápido, é por ela que ele vai optar.

Outro problema também é que o bebê que mama na mamadeira deixa de sugar no seio, pelo menos em algumas mamadas. Se deixa de sugar a produção de leite da mãe diminui. E ai entra no ciclo de aumentar a mamadeira e diminuir ainda mai a sucção no seio, levando enfim ao desmame precoce.

Fica claro como a mamadeira prejudica né?!
Se quiser ler mais sobre a mamadeira e a dor de ouvido, vai ler esse texto aqui!
E se quiser saber de opções de utensílios para oferecer complementos, após os seis meses, sem interferir na amamentação, vale clicar aqui!

   11-      Uso do bico/chupeta
Muitas pessoas acreditam que o bebê precisa do bico para ficar calmo. A realidade é que, em geral, a mãe e a família precisam mais do bico do que o bebê. Isso é, ajuda nos momentos difíceis de cansaço e estresse a acalmar o bebê. No entanto uma criança que mama no peito tem a sua necessidade de sucção satisfeita nos seios. Mesmo se for uma necessidade aumentada vale oferecer os seios.

O bico pode prejudicar a amamentação por levar também à confusão de bico. Não é regra e não acontece com todos os bebês, mas pode acontecer e pode ser também um fator que soma-se a outros prejudicando a amamentação.

Quem quiser saber mais sobre bicos e chupetas e suas reais necessidades tem um texto bacana nesse link aqui!
E se quiserem saber mais sobre o dilema chupar bico ou chupeta, vale clicar aqui!

    12-      Oferecer o Leite Artificial como complemento da amamentação antes dos seis meses
Nesse grupo de receitinhas para o insucesso da amamentação entre o oferecer leite artificial (LA) ou complementos (água, chá, suco, comidas, etc) antes dos seis meses por serem em geral oferecidos nas mamadeiras. Bom, já sabemos porque a mamadeira prejudica, mas se oferecida com o leite que não o materno, prejudica ainda mais a amamentação e estimula ainda mais o desmame precoce.

Quando o LA ou complementos são oferecidos o estomago e intestino do bebê precisam correr para adaptar-se a esse novo alimento. Esperavam receber o leite materno, pronto para a digestão e com as quantidades de proteínas, gorduras e demais nutrientes adequados para seu organismo. E ai, de repente, precisam realizar uma digestão muito maior e complexa. Isso significa que vão ficar mais tempo com uma sensação de estar “cheio”, satisfeito. Já que o alimento fica mais tempo no pequeno estômago dele. Isso não significa m bebê bem nutrido, já que os alimentos que recebe não são direcionados para a sua nutrição adequada. O mito de que o bebê gordinho é o saudável, é difícil de quebrar e acaba entrando nesse ciclo. Mas... já sabemos que isso não é verdade, gordinho não quer dizer saudável!

No entanto, oferecer LA e Complementos, muitas vezes, significa dormir mais tempo, e ai muitas mães comemoram essa conquista, especialmente no período da noite. Mas fica a dúvida, dorme mais a que custo? Ao custo da sua nutrição, vale a pena?

Bom, como ficam mais tempo “satisfeitos” passam a sugar menos, sugando menos a produção de leite materno diminui. Assim a mãe aumenta a oferta de LA e complementos E o bebê passa a sugar menos ainda. Pronto! Entramos de novo no ciclo que leva ao desmame precoce!

Ah! Vale chamar a atenção que o leite artificial e complementos pode ser inclusive causa do refluxo. Quem quiser ler mais sobre o refluxo, temos dois textos bacanas aqui no blog. Um falando sobre a “epidemia de refluxos” (clica aqui para acessar!) e outro sobre dicas e sintomas reais de refluxo (só clicar aqui para acessar!).

Realmente existem casos em que o Leite Artificial é recomendado e já falamos sobre esse assunto aqui no blog! É só clicar aqui para ler mais sobre o assunto!

E outros complementos só devem ser oferecidos depois dos seis meses, e para saber mais vale ler esse texto aqui sobre a transição alimentar!

Não deixe de ler na semana que vem o último post da série “Receitinhas para o insucesso na Amamentação”.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O que significa a amamentação exclusiva?




 Hoje a Organização Mundial de Saúde recomenda que o bebê tenha alimentação exclusiva da amamentação, leite materno, até os 6 meses. A partir dos 6 meses é recomendado a introdução de outros alimentos para complementar as necessidades nutricionais, mas dando continuidade ao aleitamento materno, até os dois anos ou mais.

A amamentação exclusiva por 6 meses diminui as chances de infecção e de desnutrição e obesidade das crianças em todo o mundo. Isso acontece porque o leite materno tem os nutrientes necessários para a nutrição e proteção imunológica da criança.

Quer dizer que o bebê não vai precisar de mais nada durante os seus primeiros seis meses de vida. Nem mesmo água ou suco são necessários para complementar sua alimentação. Isso pode ser um pouco angustiante para as mães, principalmente no verão. Por isso ter um acompanhamento e orientação do pediatra, que apoie e incentive a amamentação exclusiva, é importante. Já que ai se algo sair do normal e apenas o leite materno não for o suficiente, o pediatra irá orientar.

E o que significa dizer que o leite materno é preparado para suprir as necessidades nutricionais e proteção imunológica do bebê?

O leite é produzido nas glândulas mamárias e armazenado nos alvéolos. Quando estes estão cheios é a hora do bebê mamar. O corpo da mulher vai usar os nutrientes da sua alimentação para compor esse leite. Algumas vezes o leite pode até mudar ligeiramente de cor ou cheiro dependendo do alimento que é ingerido, o que é perfeitamente normal. Alguns bebês têm também cólicas quando a mãe come alimentos muito picantes. Ai é uma questão de observar o comportamento da criança.

Além dos nutrientes dos alimentos o leite é composto principalmente por água, como já falamos, junto com hormônios e anticorpos. Então todos os anticorpos produzidos pela mulher em consequência das doenças que já teve e das vacinas que tomou, são transmitidos ao bebê.

Como esses anticorpos são passados ao bebê mantendo-o protegido, é importante ter orientação do pediatra quanto as vacinas necessárias.

Mas voltando a produção do leite, basicamente produzimos duas partes de leite. A primeira parte do leite é a mais rala, que contém mais água, anti-corpos e hormônios. A segunda parte do leite é a que contém mais gordura e vai garantir o ganho de peso do bebê.
Assim é importante que ele mame as duas partes do leite.

No primeiro mês a criança deve mamar em livre demanda. Quer dizer, toda hora que ela quiser. Aos poucos mãe e filho vão estabelecendo um ritmo que normalmente leva a um intervalo de aproximadamente duas horas. Nesse mês aos poucos a mãe vai aprendendo a reconhecer o choro e suas diferenças. Se é choro de fome, irritabilidade, para chamar atenção, cólica ou outros.

Bebês que mamam em livre demanda passam a se sentir confortáveis e seguros. Não ficam mimados, como diz o mito popular. Inicialmente eles não conseguem perceber seu corpo quando não em contato com o do outro, com a mãe, e a amamentação é o melhor momento para isso, por isso a segurança e aconchego.

Além disso, não entendem o que significa a fome, por isso o choro. A livre demanda é importante para que o bebê possa mamar com calma, se estar irritado de esperar com fome um horário pré determinado. E com calma ele pode aprender com maior facilidade a pega correta!

A partir do segundo mês os períodos entre as mamadas vão se espaçando e aos poucos se estabelecem de 3 em 3 horas.

É importante lembrar que não existe leite fraco. O leite da mãe é sempre suficiente para seu bebê. Quanto mais a criança mama, maior a produção de leite.

O que pode acontecer que diminui a produção de leite e algumas vezes leva as mães a pensar que seu leite é fraco são situações emocionais. O estresse, nervosismo e brigas podem fazer com que a produção do leite diminua. Portanto é importante a mãe estar tranquila, com apoio daqueles que a cercam, evitando situações de estresse.