terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Ações de Saúde baseadas em Evidências Científicas – Banho de Chuveiro durante o trabalho de parto


Vamos a mais um da nossa série de Artigo!


Artigo: Banho de chuveiro como estratégia não farmacológica no alívio da dor de parturientes






Autores: Rejane Marie Barbosa Davim, Gilson de Vasconcelos Torres, Janmilli da Costa Dantas, Eva Saldanha de Melo, Cecília Pessoa Paiva, Daniele Vieira, Isabelle Katherinne Fernandes Costa (Universidade Federal do Rio Grande do Norte)



Revista: Revista Eletrônica de Enfermagem - http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n3/v10n3a06.htm

Resumo: O objetivo do estudo foi avaliar a efetividade do banho de chuveiro para o alívio da dor de parturientes na fase ativa do trabalho de parto. Estudo delineado como ensaio clínico do tipo intervenção terapêutica “antes e após”, realizado na Unidade de Parto Humanizado da Maternidade Escola Januário Cicco da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Natal/RN, com 100 parturientes na aplicação dessa estratégia no período de setembro de 2005 a fevereiro de 2006. Para avaliar a intensidade da dor das parturientes utilizou-se a escala analógica visual. A maioria das parturientes do estudo estava na faixa etária entre 20 a 30 anos (60%), ensino fundamental incompleto (85%), renda familiar até 2 salários mínimos (74%) e 78% tinham um acompanhante, e destes, 44% era o próprio companheiro. A ocitocina foi administrada em 81% dos casos e apenas 15% dessas mulheres não receberam qualquer medicação. Verificou-se alívio significativo da dor na aplicação do banho de chuveiro, sendo efetivo no alívio da dor das parturientes do estudo.


Comentários: Os resultados do presente estudo permitiram concluir que:
  • Ao comparar as médias de intensidade de dor “antes e após” à aplicação do banho de chuveiro nos 8 e 9 cm de dilatação do colo uterino, verificou-se diferença significativa (ρ=0,000) no alivio da dor após aplicação dessa estratégia, demonstrando uma redução na medida em que aumentava a dilatação do colo uterino, sendo maior aos 8 cm e menor aos 9 cm.
  • Conclui-se, portanto, que a aplicação do banho de chuveiro nos 8 e 9 cm de dilatação do colo uterino apresentou diferença significativa (ρ=0,000) no alívio da dor das parturientes do estudo.
  • Diante do exposto, pode-se afirmar que a estratégia banho de chuveiro é efetiva no alivio da intensidade da dor de parturientes na fase ativa do período de dilatação no trabalho de parto.


Quem ler e gostar, ou não gostar, comenta mais sobre o artigo aqui! Assim podemos ir trocando informações! Quem tiver sugestões também de artigos para serem colocados no blog é só mandar!

domingo, 18 de dezembro de 2011

Dia das Doulas - Acalanto Comemora!!!

 O melhor jeito de comemorar o Dia das Doulas é contando para muita gente e muuuiiitaaasss mulheres o que é uma doula!

Doula” vem do Grego e significa “mulher que serve”.

Não uma mulher servil e submissa, mas uma que serve com amor e dedicação, doando-se para que a outra mulher se empodere.

Empoderamento, aliás, é uma palavra que acompanha a palavra Doula.

A Doula tem o papel de servir a outra mulher que está grávida. Oferecendo apoio físico e emocional. Isso significa que ela estará ao lado da mulher para garantir que o parto seja como ela deseja e planeja. É um processo de preparação para o parto que pode começar antes desse e se estende ao pós parto.


Durante a gestação a Doula vai esclarecer a mulher nas suas dúvidas, orientá-la, e ajudá-la a construir seu plano de parto. Durante o parto a Doula estará ao lado da mulher, garantindo que o ambiente permaneça harmônico e tranqüilo para aquele momento. Auxiliando em posições, orientações e utilizando técnicas de alívio não farmacológicos para a dor.

É importante destacar que a Doula abre espaço para que a mulher empoderada de seu feminino realize o seu parto. A Doula não substitui o papel do pai ou de qualquer pessoa da família. Ela também não fala pela mulher e, especialmente, não realiza partos ou qualquer procedimento médico.
 

Toda MULHER pode ser Doula, não há pré requisitos. Apenas o desejo. Cada Doula vai acrescenta ao seu papel suas experiências pessoais e profissionais.

No pós parto a Doula continua ao lado da mulher, oferecendo suporte emocional e esclarecendo dúvidas.

As Doulas Voluntárias, atuantes no SUS, acompanham as mulheres que estão em trabalho de parto durante seu plantão. As Doulas Autônomas acompanham a mulher a partir do momento que esta as procura, durante a gestação, parto e pós parto. Sua presença no parto deve ser acordada com o obstetra e/ou enfermeira obstetra e a instituição onde ocorrerá o parto.

Vantagens de ter uma Doula
A doula é parceira da mulher na busca por um parto ativo, respeitoso e protagonizado. 

Informações fornecidas pela doula durante a gestação reforçam a capacidade física da mulher de ter um parto o natural possível, a empoderando para lutar pelo que deseja vivenciar.

De acordo com estudos a atuação da doula durante o parto pode:
- reduzir em 50% as taxas de cesárea;
- em 20% a duração do trabalho de parto;
- em 60% os pedidos de anestesia;
- em 40% o uso da ocitocina;
- em 40% o uso de fórceps;

Além disso a mulher que tem o acompanhamento de uma doula tem uma experiência mais positiva do parto, tem sua auto estima e auto confiança elevadas, se recupera melhor e amamenta mais!

Fonte: "Mothering the Mother" Klaus, Kennel & Klaus, 1993

Conhecimentos Básicos da Doula
» Cultura do parto;
» Humanização do parto baseado em evidências científicas, com base em referência das Organização Mundial de Saúde (OMS);
» Rotinas hospitalares;
» Tipos de parto;
» Oficina de sexualidade;
» Revisão da anatomia feminina e da fisiologia do parto;
» Métodos de alívio farmacológico e não farmacológico da dor;
» História da doulas e evidências científicas;
» Cuidados que a doula oferece (apoio emocional no trabalho de parto, técnicas de relaxamento, exercícios para o períneo, respiração e visualização, exercícios, posições e massagens que facilitam o trabalho de parto, contato pré e pós-natal, a ética do cuidado);
» Nutrição no trabalho de parto;
» Lutos e perdas no parto;
» Revisão do desenvolvimento fetal;
» Recepção do bebê na primeira hora
» Amamentação;

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Plano de Parto – local e acompanhantes


Quando começar a fazer o seu Plano de Parto a mulher precisa se perguntar onde quer ter seu parto.

- Será um parto domiciliar ou hospitalar?
O parto domiciliar é necessariamente um parto pago particular, os convênios de saúde ou o SUS não cobrem a equipe, normalmente composta por enfermeiras obstetras, doulas e algumas vezes médicos obstetras. O Parto Domiciliar é seguro e tem a grande vantagem de ser mais íntimo, em um lugar conhecido e aconchegante. Confira aqui no Blog alguns posts que já falamos sobre o Parto Domiciliar. Ao optar pelo parto em casa é importante pensar qual a estrutura você tem na sua casa e o que precisa organizar. Em qual cômodo se sente mais confortável, onde vai preparar o local do parto, acesso ao banheiro, chuveiro e banheira (se tiver).

O parto hospitalar pode ser no SUS, pago particular ou por convênio de saúde. Hoje o hospital é o lugar mais comum onde acontecem os partos no Brasil. É muito importante conhecer os hospitais antes de fazer a sua opção. Saber da sua história, tradições e o que oferece a gestante (sala de pré parto, parto e pós parto; banheira; bola; alimentação, por onde pode caminhar) e seus protocolos. Se você for de Belo Horizonte, confira o post para saber mais sobreas maternidades da cidade.

Se você tiver um plano de saúde, atenção, muitas vezes ele cobre apenas o pré natal e a internação na maternidade (e muitas vezes com restrições). Muitos planos não cobrem o parto, que pode ser pago a parte o feito pelo plantonista do hospital. Em muitas cidades, como em Belo Horizonte, as melhores maternidades de assistência ao parto e cuidados com a gestante e puérperas são as públicas. Procure se informar na sua cidade e lembre-se que todos tem o direito de ser atendidos pelo SUS.

- Quem você quer que te acompanhando durante o parto?
Depois de decidido o local do parto você pode começar a pensar em quem serão seus acompanhantes durante o parto. É claro que isso vai depender do local do parto. E você pode mudar também de ideia ao longo da gestação, mas é importante pensar sobre isso para poder abordar com delicadeza as pessoas que você quer ter ao seu lado no parto e as que você não quer que estejam lá.

Muitas vezes que você quer ao seu lado precisa se preparar para esse importante momento, além de estar em sintonia com seu Plano de Parto. Outras vezes tem alguém da família que quer muito estar lá na hora do parto, mas você sente que esse pessoa vai te deixar ansiosa nesse momento, então é melhor que não esteja. E ai falar sobre isso é sempre delicado e importante.

Vale destacar dois pontos, a doula não é considerada como acompanhante e sim como profissional que acompanha a mulher. Acompanhante são familiares e amigos.

E o mais importante é que todas as gestantes tem direito garantido por lei de serem acompanhadas durante o pré parto, parto e pós parto por um acompanhante de sua escolha. Independente da instituição em que esteja. E esse acompanhante não pode ter custos extras para a gestante. Confira mais sobre os direitos das gestantes na serie aqui do blog.



Bom! Muito assunto para pensar! Vamos ficar por aqui essa semana!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ações de Saúde baseadas em Evidências Científicas – Cuidados no Parto


Vamos a mais um da nossa série de Artigo!


Artigo: TECNOLOGIAS NÃO INVASIVAS DE CUIDADO NO PARTO REALIZADAS POR ENFERMEIRAS: A PERCEPÇÃO DE MULHERES



Autores: Natália Magalhães do Nascimento, Thalita Rocha de Oliveira, Jane Márcia Progianti, Rachelli Iozzi Novoa, Octávio Muniz da Costa Vargens (Universidade Estadual do Rio de Janeiro)

Revista: Esc Anna Nery (impr.)2010 jul-set; 14 (3):456-461

Resumo: pesquisa de natureza qualitativa, tipo descritiva, teve como objetivo identificar as atitudes e práticas de enfermeiras obstétricas e discutir seus efeitos durante o trabalho de parto na percepção de mulheres, atendidas em uma casa de parto. Fizeram parte do estudo 12 mulheres, tendo como instrumento de coleta de dados uma entrevista semiestruturada. A análise dos dados evidenciou que as mulheres reconheceram a atitude carinhosa e práticas como a livre movimentação corporal e o estímulo à presença de um acompanhante como as principais tecnologias não invasivas utilizadas durante o trabalho de parto. Quanto aos seus efeitos, as mulheres perceberam que as tecnologias favoreceram seus potenciais internos para tomada de decisões e identificaram as atitudes e práticas das enfermeiras como decisivas para que não desanimassem durante o parto. A postura e o uso pelas enfermeiras de tecnologias não invasivas contribuem para uma melhor percepção das mulheres sobre o seu processo de parto.


Comentários: Para melhor ilustrar o artigo, reproduzimos aqui as falas das puérperas sobre seus partos. As mulheres falando é o resultado real e concreto da qualidade do trabalho das enfermeiras obstétricas e importância das práticas de estimular a deambulação, o cuidado, carinho e acolhimento e a presença do acompanhante durante todo o tempo.

Aqui elas me trataram muito bem! (Ent.05).

O modo deles te tratarem [...] todos com muito carinho! (Ent.08).

Você se sente mais segura... porque quando tive a minha primeira filha, eu nunca tinha ficado num hospital, e quando eu me vi ali sozinha, sem ninguém, entrei em desespero. Mas aqui, não. Aqui me senti mais tranqüila com eles perto de mim [...]. Sei lá. Achei que foi muito legal. (Ent. 06).

Você se sente mais segura... porque quando tive a minha primeira filha, eu nunca tinha ficado num hospital, e quando eu me vi ali sozinha, sem ninguém, entrei em desespero. Mas aqui, não. Aqui me senti mais tranqüila com eles perto de mim [...]. Sei lá. Achei que foi muito legal. (Ent. 06).

Eu só fiz porque eu quis. Eu acho que isso é uma coisa que parte da gente [...] (Ent.11).

[...] o que ajudou também, muito, foi quando o pai dele chegou. Também me tranquilizou bastante. [...] Ele me deu mais força, mais segurança, não que minha irmã, minha sobrinha não desse, mas quando ele chegou, sabe... Ele nasceu rapidinho (Ent. 01).

Acho que pra gente é melhor ter o apoio da família (Ent.10).

O incentivo é fundamental. Eles me incentivaram e me motivaram a fazer isso (referindo-se aos exercícios físicos). Em momento nenhum me deixaram desanimar. Quando eu já achava que não estava mais aguentando, eles me animavam. São todos muito atenciosos. O carinho é fora de série. [...] (Ent.11).

Eu achei positivo (a deambulação) até porque me deu mais coragem, né? (Ent. 02).

[...] você ter a liberdade de fazer o que quiser. De andar, de ficar em pé, sentada, ir ao banheiro, eu me sentia mais incomodada na hora que as contrações vinham. Então, eu sentava no banheiro, no vaso. Essa liberdade de ir e vir, muito boa, é muito boa mesmo (Ent. 06).

[...] a gente aprendeu a se tocar, saber o que está acontecendo com o teu corpo [...] (Ent. 04).


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