quarta-feira, 8 de maio de 2013

Dia das Mães Diferente



No próximo domingo vamos comemorar o Dia das Mães. E esse ano, ele também vai ser diferente para mim. Não, ainda não sou mãe! Ainda não é o meu momento, mas a vontade é grande, sempre foi, e nos últimos anos ficou ainda maior.

E para passar a vontade eu costumo pegar o filho dos outros emprestados! Eu explico! Peço as amigas e tias para me emprestarem seus lindos filhos por um dia. Invento programas para fazer com os pequenos, dependendo da idade. Pode ser teatro, parque, zoológico, cinema, sorvete, praça, festas... enfim... um programa que eles queiram fazer! Às vezes topo aqueles “programas de índios” que os pais já não aguentam repetir pela milésima vez, mas eu acho o máximo!

Ser doula também ajuda a fazer passar a vontade de ser mãe agora! Quando acompanha o planejamento da gravidez de uma amiga me deixo levar pelo desejo dela, e me delicio com seu crescente empoderamento. Quando acompanho a gravidez, fico encantada com cada mudança e divido as angústias. E quando acompanho um parto, a emoção é indescritível. A partir daquele momento você passa a fazer parte da vida daquele bebê para sempre! E, além disso, hormonalmente faz um bem danado! Já que a quantidade de ocitocina que uma mulher em trabalho de parto libera, tem o poder de estimular esse hormônio em todas que estão a sua volta! Uma sensação eletrizante, de euforia, posso dizer!

Mas esse ano o dia das mães vai ser diferente para mim também não por todos esses motivos, mas sim porque no dia 06 de março também ganhei um presente! Ganhei uma linda afilhada, que ainda não falei dela por aqui. É uma meninona, que mama só no peito e cresce tanto que nem consigo acompanhar! Dorminhoca que só ela! Mas durante o dia, porque adora dar trabalho para o pai durante as noites! Calma e tranquila, tão linda e com a boquinha tão perfeita que parece de porcelana! Vive de rosa, do jeitinho que mãe dela planejou! Um mundo cor de rosa!

Quando minha prima me convidou para ser madrinha dessa pequena que ia chegar fiquei muito emocionada! Eu estava acompanhando a gravidez dela desde o início e queria fazer de tudo para dar o maior suporte possível para ela. Fiz isso com todo o meu coração e dedicação, e senti que esse convite foi um presente, um agradecimento por já estar do lado daquela menininha, incondicionalmente, mesmo antes dela nascer! Foi lindo o convite! A delicadeza do gesto!

Passado o convite, agora vem o papel de madrinha. A confiança que foi depositada em mim é muito grande e quero retribuir com a minha dedicação total sempre. Simbolicamente, ser madrinha significa ser uma segunda mãe, significa substituir a mãe em sua ausência. E por isso, esse dia das mães, é também diferente para mim.

Não quero ser mãe nesse dia das mães, mas quero que a minha prima tenha seu primeiro dia das mães ao lado da sua filha e que se sinta uma rainha, poderosa e guerreira! É isso que ela é, mulher que dedica-se dia e noite a sua filha, com todo o cuidado, vira uma leoa se algo a ameaça e não aceita ouvir de ninguém que não será capaz de amamentar sua filha exclusivamente. Não deixa que ninguém interfira nesse momento tão precioso e exclusivo das duas, a amamentação.

E diante de tudo isso eu tenho o papel de apoiá-la e prometer, solenemente, que serei a melhor madrinha de todas! Começo apoiando a mãe nas suas decisões e ajudando a diminuir a sua ansiedade! Mas também já quero mimar bastante, encher de presentinhos e coisas lindas, apertar e dar beijo demais. Quero cuidar também, trocar fralda, roupar, dar banho e poder, de vez em quando, roubar ela pra mim. Só um pouquinho, depois que crescer, roubo pelo dia e devolvo! Agora enquanto ainda é bebê, roubo por algumas horas, para passear no jardim e não tirar do colo, e depois devolvo. Prometo também que seriei um porto seguro para ela, um exemplo, uma confidente, um ombro amigo. Prometo ajudar na disciplina, mas também a ajudar a fazer travessuras. Prometo sempre fazer parte da vida dela, seja da forma que for, seja para onde a vida nos levar, nos mais diversos caminhos!

O Dia das Mães é uma data bem comercial, já que na verdade todos os dias são dedicados as mães, e as mães se dedicam aos filhos todos os dias. É comercial também porque presente é bom ganhar todo dia, e as mães merecem! Mas presente de mãe mesmo é o sorriso do filho saudável. Mas mesmo assim, achei que essa semana o post merecia homenagear as mães guerreiras e um agradecimento das madrinhas que receberam a honra e a tarefa de ser uma “segunda mãe”.

Obrigada!

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Do que você tem medo?!


Semana passada falei sobre o planejamento do parto e esse assunto sempre me faz pensar nos meus medos...



É que esse momento é muito sonhado e planejado! Falar do planejamento não é difícil, mas falar do sonho... já é mais complicado... às vezes eu falo, mas ainda não consegui escrever... Acho que tenho medo de sonhar demais e idealizar demais. Sabe os casos de mães com crianças com síndromes que tem dificuldade de aceitar o filho?! Ela sonha e ama o filho idealizado, mas quando ele nasce, o filho real, com alguma deficiência, fica difícil amá-lo. Não tenho medo disso acontecer em relação ao meu filho, mas sim em relação ao meu parto.

Idealizar demais e ai, na hora das possibilidades reais, ele não ser possível, e a frustração me impedir de curtir um momento tão especial... loucura minha ou fez sentido para alguém?! É por isso que tento não sonhar, não idealizar e não escrever para não concretizar, porque assim posso me forçar a lidar com o real que a vida vai me oferecer! Um parto maravilhoso, que eu vou construir, mas que pode não ser o que sonhei...

Mais do que isso, tenho medo de que alguma indicação real de cesariana impeça que eu tenho o meu sonhado parto normal! Mas indicação real mesmo, dessas em que a situação foge das nossas mãos e pode até resultar em uma cesariana de emergência.

A Melania, no seu Blog Estuda, Melania; Estuda! Tem um texto legal sobre as indicações reais e fictícias de cesariana, quem quiser, vale a pena ler o texto todo, e para isso é só CLICAR AQUI! Mas vou colocar aqui as tais reais indicações de cesariana que tanto me dão medo!


Algumas indicações de cesariana - REAIS

1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;

2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;

3) Placenta prévia parcial ou total (total ou centro-parcial);

4) Apresentação córmica (situação transversa) - durante o trabalho de parto (antes pode ser tentada a versão);

5) Ruptura de vasa praevia;

6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto

Eu sei, que nessas situações uma cesariana será realizada para salvar a minha vida e de meu bebê, mas ainda assim, acho que vou sentir o meu parto roubado... vou agradecer a vida e a tecnologia que salva essa vida quando bem utilizada... mas e o meu parto roubado? Não sei como fica...

Outro medo ainda... é de não poder ter um parto domiciliar. Sem falar muito do meu parto, mas já há um tempo que tenho certeza de que desejo um parto domiciliar... e existem algumas situações de saúde que podem impedir um parto domiciliar... sem impedir um parto normal ou natural hospitalar, é verdade... mas acho que terei muita dificuldade em aceitar que não poderei estar na minha casa na hora do meu parto... mesmo sabendo que essa pequena mudança de local será uma garantia de saúde para mim e para meu bebê.

O Blog Parto em Casa tem um texto legal, que também vale a pena ser lido (só CLICAR AQUI!!), que explica bem quais os critérios para se ter um parto em casa. O Parto Domiciliar pode acontecer quando a gestação é de baixo risco e a gestante também. Para isso a gestante não Poe ter hipertensão, diabetes, cardiopatias, pneumopatias graves e ativas, problemas neurológicos e psiquiátricos, doenças renais, doenças hematológicas graves, infecções gerais e doenças sexualmente transmissíveis. Essa listinha não impede um parto normal, mas impede o parto domiciliar. Outras situações que também não são recomendadas o parto domiciliar são a pré eclampsia, sofrimento fetal, gestação múltipla, apresentação cefálica ou anômalas, cirurgias uterinas anteriores.

Nessas situações planejaria meu parto em um hospital humanizado, mas ainda assim... como lidar com o que não foi desejado?! E se, por estar no hospital, não conseguir o parto humanizado e cercado de amor que desejo. Será que ai meu parto também não será roubado?

Nenhuma dessas situações eu posso controlar. Não posso planejar! E por isso resolvi falar delas aqui! Colocar para fora! Impedir que se tornem fantasmas! Impedir que ele cresça e seja de alguma forma paralisador! Aprender que as decisões serão tomadas no caminhar das coisas, com o meu empoderamento e as minhas informações. Não deixar nenhuma frustração me roubar a alegria do meu parto e do meu bebê no colo.

E você? Tem medo de quê? Não que compartilhar com a gente aqui e impedir que ele te paralise na hora de tomar as decisões acertadas?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Planejando o meu parto!


Eu sou dessas pessoas que gosta de planejar as coisas. Quando vou viajar gosto de planejar quais os passeios quero fazer, em geral, planejo mais do que o que realmente dá tempo, assim, não fico sem opções! Gosto de planejar a minha semana, saber como distribuir todas as tarefas e responsabilidades nela, deixando tempo para a diversão e o cuidar de mim mesma.

Coisas não planejadas costumam me deixar ansiosa. Mas também já aprendi que preciso ter flexibilidade.
As vezes o inesperado é mais gostoso! Ser espontânea e sair da rotina, de vez em quando, pode abrir novos mundos de possibilidades, alegrias e amizades. Não vale ficar mal humorada ou frustrada porque as coisas não aconteceram como o planejado. Tá, essa parte ainda é difícil, mas estou me esforçando!

Na maioria das vezes, a maioria das pessoas concordam que o planejamento é bom. Concordam que a organização é boa e até ajudam quando você toma a frente para começar a planejar ou organizar algo. Mas tem uma situação que observo ultimamente que as pessoas não aceitam como normal planejar com antecedência. É o planejamento do parto.

Olha eu passo por isso e tenho uma amiga que está nesse barco também. Não estamos grávidas, mas o nosso parto, a forma como nossos futuros filhos virão ao mundo é muito importante. Por isso, resolvemos planejar com antecedência.

Planejar um parto dá trabalho sabe! Precisa de planejar onde ele vai acontecer, se em um hospital, casa de parto ou na sua casa. Precisa decidir quem serão os profissionais que vão te acompanhar (entre enfermeiras obstetras, obstetras, doulas e outros). Precisa planejar financeiramente caso decida por um parto domiciliar ou precise sair da sua cidade para ter o parto que deseja. Precisa planejar como trazer as pessoas importantes para você no mesmo barco, defendendo o que acredita. E especialmente, precisa planejar emocionalmente. Precisa estar preparada emocionalmente para esse momento tão importante de conexão total com o seu corpo!

É claro que se não estávamos grávidas tem muita coisa que não dá para planejar ainda! É claro que muita coisa vai ficar entre as opções, para decidir depois, mas se já define quais as opções, facilita não?!

Agora, ora bolas! Se o parto é meu! Se eu sou protagonista desse momento! Se eu vou ser quem decide o que é melhor para mim e para o meu bebê, porque não posso planejar antes? Porque as amigas e familiares nos consideram ‘doidas’ quando falamos que já estamos nos informando, empoderando e planejando, para um parto humanizado, respeitoso e cercado de amor?

Acho... suspeito... quer dizer.... acredito que quem não concorda que a mulher hoje, precisa se preparar, informar, empoderar e planejar o seu parto são as pessoas que não entendem que a protagonista desse momento é a mulher grávida e não o ginecologista ou o hospital. É uma pena... porque essas pessoas, especialmente essas mulheres, que ainda não perceberam isso, correm o risco de terem os seus partos roubados de si. Correm o risco de sofrerem violências durante a gravidez e o parto que vão marcar para sempre a sua história e a de seus pequenos filhos que chegam ao mundo (Que saber mais sobre violência no parto? Acessa esse site e assiste esse vídeo)

Se mais mulheres parassem para planejar o parto, e não planejar a hora em que vai nascer, a roupa que vai sair da maternidade, a lembrancinha que vai distribuir, o salão que precisa agendar antes do parto, e planejassem realmente o seu parto, mudaríamos a forma de nascer no Brasil e no mundo. Veja bem, nada contra o planejamento da roupa e da lembrancinha, fazem parte do meu também, e são uma delícia, e sim contra ao fato de isso ser considerado a única coisa que a mulher deve se preocupar em relação ao parto. Agora, tudo contra estar mais preocupada com a aparência externa do que com o bem estar e saúde do bebê, tudo contra agendar um horário para o bebê nascer porque se encaixa mais na minha agenda de compromissos ou entre as viagens do médico.

Bom, queria saber quem é realmente “louca” nessa história. As mulheres que deixam um momento tão importante da sua vida sob a responsabilidades de outros ou as mulheres que tomam a iniciativa de se preparar e construir um ambiente adequado para garantir que seja protagonistas de um momento singular na vida delas e de seus filhos!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Depois de um descanso, volto logo!

Pessoal,
sei que estou em falta com os posts!! Mas foram muitas coisas essas semanas, de pacientes novos, emprego novo, família, amigos e ate uma gripe que me deixou de cama por 4 dias!

Agora já esta tudo entrando no ritmo de novo e logo logo volto com os posts semanais!!!

Aguardem, que esse tempinho foi só um descanso!!!






quinta-feira, 21 de março de 2013

Receitinhas para insucesso na amamentação – Parte 5


Hoje vamos falar de receitinhas para o insucesso na amamentação, que levam ao desmame precoce, que caem sobre a mãe, pressões da sociedade e exigências do dia a dia que influenciam na produção materna do leite.

   13-      Determinar uma quantidade de peso específico que o bebê deve ganhar a cada mês
As mães, ou as avós, ou os pediatras (na maioria das vezes, em especial, os pediatras), tem uma expectativa que o bebê engorde uma determinada quantidade de gramas a cada dia, semana e mês. Frequentemente a consulta mensal no pediatra, que deveria ser um acompanhamento da saúde do bebê, vira um espaço de pesar e medir o bebê. O foco no peso ganha um tamanho exagerado, apesar de ser importante. Em termos técnicos e teóricos podemos dizer que focar no peso é fazer uma atenção centrada na doença, quando o desejado seria uma atenção centrada na pessoa, nesse caso no binômio mãe e bebê.


O problema é que cada criança tem um ritmo de desenvolvimento e até uma genética de engordar mais ou menos, se ser mais espichado e magrinho ou mais gordinho. Se conseguimos respeitar isso quando somos adultos, porque não fazemos o mesmo com os bebês? Até hoje estamos presos ao mito de que bebê saudável é bebê gordinho? Realmente um bebê que está saudável, crescendo e engordando no ritmo dele, e desenvolvendo-se adequadamente, precisa estar dentro do quadradinho da engorda?

Essa pressão do peso e do engorda interfere na amamentação porque vai minando a confiança da mãe. Ela acaba duvidando da sua capacidade de alimentar seu filho. Algo muito importante para as mães é garantir a nutrição do seu filho e, se ela não acredita que seu leite é suficiente, pode até diminuir a sua produção de leite. Mãe nervosa é igual a bebê nervoso, chorando, o que dificulta a amamentação. E ai surge novamente o famigerado complemento, voltando ao ciclo de oferecer o Leite Artificial que termina por promover uma diminuição na produção do leite materno, já que o bebê não suga, e ai inicia-se o novamente o ciclo do desmame precoce.

    14-      Mulher desidratada
Grande parte do Leite Materno é composto por água! Fundamental para matar a sede e hidratar o bebê, o que também justifica a importância da livre demanda. E o leite é produzido a partir dos nutrientes que a mulher tem no seu corpo, então fica fácil perceber que é necessário beber muita água para uma boa produção de leite materno.

A mulher precisa se hidratar para que possa usar a água que necessita para seu corpo saudável e para a produção do leite. Para uma referência, já que os nutricionistas indicam que bebamos 2 litros de água por dia, uma mulher que amamenta precisa superar essa quantidade. Pode pensar na necessidade de beber 3 litros de água por dia.

Beber água, nesse caso, pode ser beber qualquer líquido saudável que hidrate. Vale suco, leite, chás... o que mais satisfizer, mas é bom ficar longe dos não saudáveis, como refrigerantes. E evitar os alcoólicos. O mito de beber cerveja preta (sem álcool) para aumentar o leite vem daí, aumenta a ingestão de liquido e consequentemente a produção de leite. Uma mulher desidratada pode realmente ter dificuldades na produção do leite!

   15-      Dormir pouco
Dormir é essencial para que a mulher consiga estar bem física e mentalmente. Essa saúde mental é essencial para uma boa produção do leite materno. Sono dificulta também a paciência e dedicação necessárias para a amamentação.

E como fazer para dormir com um bebê novo que acorda várias vezes a noite para mamar? Bebês precisam sim mamar a noite sim, enquanto pequenos para garantir a nutrição, e também para sentirem-se seguros. Então o segredo é pedir ajuda. Ajuda para arrumar a casa, lavar roupas, fazer comida, cuidar do bebê em intervalos que ele não precisa mamar, e assim aproveitar todos os momentos para dormir e descansar. Relaxar e garantir a saúde mental e física da mãe.

 16-      Passar por situações de estresse, medo e/ou angústia...
Situações agudas e repentinas que geram estresse, medo, angustia e outros sentimentos negativos podem levar a uma queda na produção do leite materno. Nesses casos não precisa desesperar. O segredo é insistir na livre demanda, muita sucção do bebê e fugir da situação prejudicial, resolvendo ou se afastando, e assim garantindo a sua saúde e a saúde do seu bebê. Evitar cair no ciclo do leite artificial e desmame precoce é fundamental para poder recuperar a produção do leite materno, adequada a necessidade do bebê.

    17-      Dar ouvido aos palpiteiros de plantão
Como diz uma colega blogueira (do Cientista que virou mãe), os palpiteiros de plantão se multiplicam por brotamento e surgem em todas as situações inesperadas. São inconvenientes, sempre tem uma opinião certeira, se acham donos da verdade e se ofendem quando você não aceita a opinião. Siga seus instintos, informe-se e empodere-se e só depois escute aquelas pessoas que realmente te apoiam e te auxiliam, os demais, faça “ouvido de mercador”. Deixe entrar por um e sair pelo o outro ouvido. E muitas vezes os palpiteiros que mais atrapalham não são os desconhecidos e colegas não, são os mais próximos mesmo, que mais nos amam e querem o nosso bem. Importante saber identifica quem são esses e lidar com eles com delicadeza, impedindo que atrapalhem o seu processo de amamentação exclusiva por seis meses e continuada.

Ufa! Cinco semanas falando de coisas que atrapalham a amamentação! Mas agora acho que conseguimos falar de tudo um pouco para ajudar as mães e futuras mães a saírem correndo desses ciclos prejudiciais!

Quem quiser compartilhar historias de amamentação aqui no blog, manda um e-mail, que vamos adorar enriquecer o debate com as mães falando!


quinta-feira, 14 de março de 2013

Receitinhas para insucesso na amamentação – Parte 4


Essa é a lista de receitinhas de insucesso na amamentação que mais assusta as fonoaudiólogas! Mamadeiras, bicos e chupetas, além de interferirem na amamentação prejudicam o desenvolvimento ósseo e muscular da face. Isso quer dizer que o bebê não receberá estímulos adequados para esse crescimento ou receberá estímulos deletérios, ou seja, que prejudicam. Se prejudica o desenvolvimento ósseo e muscular da face pode interferir em diferentes pontos, mais na frente na vida do bebê, sendo eles:

- Na respiração – a amamentação estimula a respiração nasal, mas bicos e mamadeiras levam o bebê a usar também a boca para respirar. E o ar passando ela boca e não exclusivamente pelo nariz interfere mais ainda no desenvolvimento ósseo e muscular do bebê.

- Postura de boca– estimulam o bebê a ficar com a boca semi aberta e anteriorizada, isso pode levar a uma hipotonia dos músculos, que depois prejudicará o desenvolvimento da mastigação, e ainda, no futuro, criando a necessidade de uso de aparelhos ortodônticos.

- Postura de língua – estimulam o bebê a fica com a língua para baixo e para frente, o que depois pode interferir na posição dos dentes, na fala e na mastigação.

- Posição dos dentes – se o uso de bicos e mamadeiras prolonga-se até o nascimento do dentes eles podem interferir na posição em que os dentes nascem, levando posteriormente a necessidade de uso do aparelho ortodôntico.

- Fala – se esse uso também se estende até o inicio do desenvolvimento da fala, vai interferir na sua inteligibilidade, podendo causar distúrbios que sejam necessários a intervenção fonoaudiológica.



    10-      Uso da mamadeira
Oferecer a mamadeira ao bebê pode causar uma confusão de bicos. Realmente não acontece com todas as crianças, mas pode acontecer. E isso significa que na confusão de bicos, ou melhor confundindo as formas de sugar, o bebê pode ficar nervoso, sem saber como mudar do peito para a mamadeira. Em geral os bebês vão optar por recusar o seio materno, já que nele a sucção exige maior esforço. Esse esforço ele é essencial para o desenvolvimento ósseo e muscular da face e ele não acontece na mamadeira.

Não é com isso dizer que o bebê é preguiçoso. É dizer que ele suga pela necessidade de saciar a fome. Se sugar na mamadeira a fome é saciada mais rápido, é por ela que ele vai optar.

Outro problema também é que o bebê que mama na mamadeira deixa de sugar no seio, pelo menos em algumas mamadas. Se deixa de sugar a produção de leite da mãe diminui. E ai entra no ciclo de aumentar a mamadeira e diminuir ainda mai a sucção no seio, levando enfim ao desmame precoce.

Fica claro como a mamadeira prejudica né?!
Se quiser ler mais sobre a mamadeira e a dor de ouvido, vai ler esse texto aqui!
E se quiser saber de opções de utensílios para oferecer complementos, após os seis meses, sem interferir na amamentação, vale clicar aqui!

   11-      Uso do bico/chupeta
Muitas pessoas acreditam que o bebê precisa do bico para ficar calmo. A realidade é que, em geral, a mãe e a família precisam mais do bico do que o bebê. Isso é, ajuda nos momentos difíceis de cansaço e estresse a acalmar o bebê. No entanto uma criança que mama no peito tem a sua necessidade de sucção satisfeita nos seios. Mesmo se for uma necessidade aumentada vale oferecer os seios.

O bico pode prejudicar a amamentação por levar também à confusão de bico. Não é regra e não acontece com todos os bebês, mas pode acontecer e pode ser também um fator que soma-se a outros prejudicando a amamentação.

Quem quiser saber mais sobre bicos e chupetas e suas reais necessidades tem um texto bacana nesse link aqui!
E se quiserem saber mais sobre o dilema chupar bico ou chupeta, vale clicar aqui!

    12-      Oferecer o Leite Artificial como complemento da amamentação antes dos seis meses
Nesse grupo de receitinhas para o insucesso da amamentação entre o oferecer leite artificial (LA) ou complementos (água, chá, suco, comidas, etc) antes dos seis meses por serem em geral oferecidos nas mamadeiras. Bom, já sabemos porque a mamadeira prejudica, mas se oferecida com o leite que não o materno, prejudica ainda mais a amamentação e estimula ainda mais o desmame precoce.

Quando o LA ou complementos são oferecidos o estomago e intestino do bebê precisam correr para adaptar-se a esse novo alimento. Esperavam receber o leite materno, pronto para a digestão e com as quantidades de proteínas, gorduras e demais nutrientes adequados para seu organismo. E ai, de repente, precisam realizar uma digestão muito maior e complexa. Isso significa que vão ficar mais tempo com uma sensação de estar “cheio”, satisfeito. Já que o alimento fica mais tempo no pequeno estômago dele. Isso não significa m bebê bem nutrido, já que os alimentos que recebe não são direcionados para a sua nutrição adequada. O mito de que o bebê gordinho é o saudável, é difícil de quebrar e acaba entrando nesse ciclo. Mas... já sabemos que isso não é verdade, gordinho não quer dizer saudável!

No entanto, oferecer LA e Complementos, muitas vezes, significa dormir mais tempo, e ai muitas mães comemoram essa conquista, especialmente no período da noite. Mas fica a dúvida, dorme mais a que custo? Ao custo da sua nutrição, vale a pena?

Bom, como ficam mais tempo “satisfeitos” passam a sugar menos, sugando menos a produção de leite materno diminui. Assim a mãe aumenta a oferta de LA e complementos E o bebê passa a sugar menos ainda. Pronto! Entramos de novo no ciclo que leva ao desmame precoce!

Ah! Vale chamar a atenção que o leite artificial e complementos pode ser inclusive causa do refluxo. Quem quiser ler mais sobre o refluxo, temos dois textos bacanas aqui no blog. Um falando sobre a “epidemia de refluxos” (clica aqui para acessar!) e outro sobre dicas e sintomas reais de refluxo (só clicar aqui para acessar!).

Realmente existem casos em que o Leite Artificial é recomendado e já falamos sobre esse assunto aqui no blog! É só clicar aqui para ler mais sobre o assunto!

E outros complementos só devem ser oferecidos depois dos seis meses, e para saber mais vale ler esse texto aqui sobre a transição alimentar!

Não deixe de ler na semana que vem o último post da série “Receitinhas para o insucesso na Amamentação”.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Receitinhas para insucesso na amamentação – Parte 3


Já estamos na terceira semana de posts sobre o que pode levar ao insucesso na amamentação. As situações podem acontecer isoladas ou somadas umas as outras e hoje vamos falar de três muito importantes!!!

1-      Amamentar com tempo marcado
Muitos cursos de orientação a gestantes com profissionais até “famosos” na área insistem em repetir algumas orientações falsas e antiquadas em relação ao tempo de amamentação. Primeiro dizem que os meninos mamam mais que as meninas. E depois dizem que o bebê deve ficar 5 minutos de relógio marcado em cada peito. Ou tem também a história de mamar por 15 minutos em um peito, tirar o bebê e levar para tomar banho e, só depois oferecer 10 minutos de mamada no outro peito.

Para começar as meninas já nascem destinadas a fazer regime né!? Não existe nenhum embasamento científico para dizer que bebês do sexo masculino mamam mais do que bebês do sexo feminino. Cada criança mama o tanto que precisa, é individual e pessoal. E a produção de leite da mãe vai se adequar a necessidade do seu bebê.

Ai entramos no problema de marcar o tempo para a amamentação. Como já falamos nos posts anteriores a amamentação é um processo de aprendizagem, então um bebê com uma sucção efetiva e eficiente pode até se sentir saciado em cinco minutos, mamando todo o leite, mas isso não é regra para todos. Cada bebê deve determinar seu próprio ritmo e tempo para mamar em um seio, e o tanto que deseja mamar no outro. O mesmo acontece para o tempo de 15 minutos, que apesar de ser maior e mais realístico, pode também prejudicar a amamentação e até colocar a mãe estressada se o bebê não quiser ficar os 15 minutos em um mesmo peito.

O problema de não respeitar o bebê esvaziar a mama é que não vai garantir que ele mame o leite anterior e posterior. Hoje já sabe-se que o leite materno é dividido em três fases em uma mesma mamada e que o leite mais posterior é o mais rico em gorduras. Portanto, bebês que não tem a oportunidade de mamar o leite todo da mama não engordam. Quando não engordam, logo o pediatra já quer entrar com o complemento, sem procurar entender porque a amamentação não teve sucesso, prejudicando ainda mais o processo. Mais especificamente do complemento falaremos no post da semana que vem!

Outro problema ainda de marcar o tempo é que o bebê não vai sugar o suficiente no peito, o que vai acabar levando o leite da mulher a diminuir, já que a sua produção é regulada pela quantidade que o bebê suga. Diminuindo a produção do leite, logo a mulher esta nervosa e o pediatra surge com a mágica sugestão do complemento com leite artificial novamente!


Ah! E ainda tem a história de interromper a mamada com um banho. O problema ai é que primeiro, você gostaria de estar comendo e de repente, alguém vem, tira seu prato, iz que você tem que tomar banho, e só depois pode continuar a comer? Eu detestaria e ficaria mal humorada! E se já tivessse comido a maior parte do que desejava/precisava para me alimentar bem, depois do banho estaria sem fome e não voltaria a comer, mas daqui a meia hora estaria com fome de novo. Acontece exatamente o mesmo com os bebês. Eles têm uma sensação de saciedade logo no inicio da mamada, especialmente os mais novinhos que chegam até a dormir (e se isso acontecer devem ser acordado para continuar mamando), e depois ainda vão para o banho, acabam desistindo de continuar mamando. E ai, logo estarão com fome novamente! O que resulta disso é uma mãe estressada e um bebê constantemente chorando de fome.

2-      Não respeitar a Livre Demanda
Existe um mito que bebê que mama demais e consequentemente fica muito no colo ficará mimado, especialmente se a mãe atender todas as vezes que ele chorar. E por isso as mamadas devem ter horário estabelecido desde o início, criando uma rotina, acontecendo com intervalos de três em três horas.

Nessa história tem muitos problemas e muitas inverdades! A começar que bebês que ficam no colo são mimados. A questão aqui é que bebês novinhos precisam de aconchego, acalento, já que não conseguem se acalentar sozinhos. E como fazer isso?
- Mantendo o bebê em contato corpo a corpo, pele a pele com a mãe, para que percebe os contornos e limites do seu próprio corpo;
- Enrolando ele, contendo-o, nos chamados casulinhos, para ajudar a organizar, ficando com as mãos centralizadas.
- Deixando que eles satisfaçam a sua necessidade de sugar. E a forma saudável e adequada de sugar é no seio materno.

Essas são características da exterogestação. Uma teoria que explica que os bebês humanos nascem pequenos e indefesos para terminar de se desenvolver fora do útero, como podemos observar que acontece com seus órgãos, em especial o intestino é fácil de perceber, e o cérebro. Bom, segundo essa teoria os três primeiros meses de vida do bebê são como um quarto trimestre da gestação e por isso precisam tanto da mãe.

Outro problema dessa teoria é que bebês não tem noção de tempo, portanto não é estabelecendo um espaço de três horas que vai ajudá-los a estabelecer uma rotina. O que eles primeiro tem que entender como rotina é a diferença entre dia e noite. Algo básico como de dia nos saímos, passeamos, está claro, tem sol, tomamos banho, tem barulho na casa e na rua. De noite não tem luz, é escuro, ficamos no quarto e os barulhos são poucos. Rotina de horas marcadas vão chegar com a idade!

Não atender o choro do bebê é sim um problema e muito diferente de não atender ao choro de uma criança grande que já sabe falar e está fazendo manha. Os bebês têm formas limitadas de se comunica e a principal delas é o choro. Por isso se um bebê chora e não é atendido ele sofre, física e psicologicamente. Os bebês não ficam mimados se forem atendidos no seu choro, eles passam a se sentir seguros e confortados.

E finalmente o principal problema desse mito. Os bebês tem o estomago pequeno e gastam muita energia pois estao crescendo e se desenvolvendo, mesmo que passem a maior parte do tempo dormindo. O leite materno é preparado para a absorção e não precisa ser digerido, portanto ele é rapidamente absorvido, na pequena quantidade que o bebê consegue mamar por vez. À medida que crescem passam a mamar maiores quantidades, com uma pega mais eficiente e ai vão espaçando as mamadas. Isso quer dizer que bebês pequenos não conseguem ficar três horas sem mamar, em geral mamam em intervalos menores e isso deve ser respeitado, em livre demanda, para garantir um desenvolvimento saudável deles.

Adiar oferecer a mama causa ainda outros problemas. Quando o bebê chora e a mãe escuta os seios começam a produzir mais leite. Isso é um reflexo. Então a mãe está com o peito cheio e, se demora a oferecer ao bebê pode até ter ingurgitamento ou empedramento o leite, futuramente levando a fissuras e mastite. Prejudicando a saúde da mãe e a amamentação. Tem ainda o agravante que se o bebê estiver nervoso, chorando e com muita fome ficará mais difícil fazer a pega correta, especialmente em um seio muito cheio. E a pega incorreta prejudica a amamentação como vamos falar no próximo item.

3-      Pega Incorreta

O importante para o assunto de hoje é que uma pega incorreta pode levar a uma sucção não eficiente do bebê, o que leva a não mamar todo o posterior, e assim não engordar. A pega incorreta também pode causar fissuras nos seios da mulher, prejudicando a amamentação com a dor que a mulher sente. A pega incorreta prejudica a sucção e isso pode levar a mãe a produzir menos leite, o corpo entende que deve produzir menos. E ai, a famosa receitinha de complemento com leite artificial do pediatra chega logo, sem dar a chance ao bebê de aprender a pega e tornar a sua mamada eficiente. Ganhando peso e mantendo-se saudável.

Ufa! Acho que de informações por hoje é o suficiente né! Fuja dos mitos!!! Na semana que vem vamos falar do problema que o Leite Artificial e outros complemento prejudicam a amamentação, em especial se combinados com bicos e mamadeiras!