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quinta-feira, 14 de março de 2013

Receitinhas para insucesso na amamentação – Parte 4


Essa é a lista de receitinhas de insucesso na amamentação que mais assusta as fonoaudiólogas! Mamadeiras, bicos e chupetas, além de interferirem na amamentação prejudicam o desenvolvimento ósseo e muscular da face. Isso quer dizer que o bebê não receberá estímulos adequados para esse crescimento ou receberá estímulos deletérios, ou seja, que prejudicam. Se prejudica o desenvolvimento ósseo e muscular da face pode interferir em diferentes pontos, mais na frente na vida do bebê, sendo eles:

- Na respiração – a amamentação estimula a respiração nasal, mas bicos e mamadeiras levam o bebê a usar também a boca para respirar. E o ar passando ela boca e não exclusivamente pelo nariz interfere mais ainda no desenvolvimento ósseo e muscular do bebê.

- Postura de boca– estimulam o bebê a ficar com a boca semi aberta e anteriorizada, isso pode levar a uma hipotonia dos músculos, que depois prejudicará o desenvolvimento da mastigação, e ainda, no futuro, criando a necessidade de uso de aparelhos ortodônticos.

- Postura de língua – estimulam o bebê a fica com a língua para baixo e para frente, o que depois pode interferir na posição dos dentes, na fala e na mastigação.

- Posição dos dentes – se o uso de bicos e mamadeiras prolonga-se até o nascimento do dentes eles podem interferir na posição em que os dentes nascem, levando posteriormente a necessidade de uso do aparelho ortodôntico.

- Fala – se esse uso também se estende até o inicio do desenvolvimento da fala, vai interferir na sua inteligibilidade, podendo causar distúrbios que sejam necessários a intervenção fonoaudiológica.



    10-      Uso da mamadeira
Oferecer a mamadeira ao bebê pode causar uma confusão de bicos. Realmente não acontece com todas as crianças, mas pode acontecer. E isso significa que na confusão de bicos, ou melhor confundindo as formas de sugar, o bebê pode ficar nervoso, sem saber como mudar do peito para a mamadeira. Em geral os bebês vão optar por recusar o seio materno, já que nele a sucção exige maior esforço. Esse esforço ele é essencial para o desenvolvimento ósseo e muscular da face e ele não acontece na mamadeira.

Não é com isso dizer que o bebê é preguiçoso. É dizer que ele suga pela necessidade de saciar a fome. Se sugar na mamadeira a fome é saciada mais rápido, é por ela que ele vai optar.

Outro problema também é que o bebê que mama na mamadeira deixa de sugar no seio, pelo menos em algumas mamadas. Se deixa de sugar a produção de leite da mãe diminui. E ai entra no ciclo de aumentar a mamadeira e diminuir ainda mai a sucção no seio, levando enfim ao desmame precoce.

Fica claro como a mamadeira prejudica né?!
Se quiser ler mais sobre a mamadeira e a dor de ouvido, vai ler esse texto aqui!
E se quiser saber de opções de utensílios para oferecer complementos, após os seis meses, sem interferir na amamentação, vale clicar aqui!

   11-      Uso do bico/chupeta
Muitas pessoas acreditam que o bebê precisa do bico para ficar calmo. A realidade é que, em geral, a mãe e a família precisam mais do bico do que o bebê. Isso é, ajuda nos momentos difíceis de cansaço e estresse a acalmar o bebê. No entanto uma criança que mama no peito tem a sua necessidade de sucção satisfeita nos seios. Mesmo se for uma necessidade aumentada vale oferecer os seios.

O bico pode prejudicar a amamentação por levar também à confusão de bico. Não é regra e não acontece com todos os bebês, mas pode acontecer e pode ser também um fator que soma-se a outros prejudicando a amamentação.

Quem quiser saber mais sobre bicos e chupetas e suas reais necessidades tem um texto bacana nesse link aqui!
E se quiserem saber mais sobre o dilema chupar bico ou chupeta, vale clicar aqui!

    12-      Oferecer o Leite Artificial como complemento da amamentação antes dos seis meses
Nesse grupo de receitinhas para o insucesso da amamentação entre o oferecer leite artificial (LA) ou complementos (água, chá, suco, comidas, etc) antes dos seis meses por serem em geral oferecidos nas mamadeiras. Bom, já sabemos porque a mamadeira prejudica, mas se oferecida com o leite que não o materno, prejudica ainda mais a amamentação e estimula ainda mais o desmame precoce.

Quando o LA ou complementos são oferecidos o estomago e intestino do bebê precisam correr para adaptar-se a esse novo alimento. Esperavam receber o leite materno, pronto para a digestão e com as quantidades de proteínas, gorduras e demais nutrientes adequados para seu organismo. E ai, de repente, precisam realizar uma digestão muito maior e complexa. Isso significa que vão ficar mais tempo com uma sensação de estar “cheio”, satisfeito. Já que o alimento fica mais tempo no pequeno estômago dele. Isso não significa m bebê bem nutrido, já que os alimentos que recebe não são direcionados para a sua nutrição adequada. O mito de que o bebê gordinho é o saudável, é difícil de quebrar e acaba entrando nesse ciclo. Mas... já sabemos que isso não é verdade, gordinho não quer dizer saudável!

No entanto, oferecer LA e Complementos, muitas vezes, significa dormir mais tempo, e ai muitas mães comemoram essa conquista, especialmente no período da noite. Mas fica a dúvida, dorme mais a que custo? Ao custo da sua nutrição, vale a pena?

Bom, como ficam mais tempo “satisfeitos” passam a sugar menos, sugando menos a produção de leite materno diminui. Assim a mãe aumenta a oferta de LA e complementos E o bebê passa a sugar menos ainda. Pronto! Entramos de novo no ciclo que leva ao desmame precoce!

Ah! Vale chamar a atenção que o leite artificial e complementos pode ser inclusive causa do refluxo. Quem quiser ler mais sobre o refluxo, temos dois textos bacanas aqui no blog. Um falando sobre a “epidemia de refluxos” (clica aqui para acessar!) e outro sobre dicas e sintomas reais de refluxo (só clicar aqui para acessar!).

Realmente existem casos em que o Leite Artificial é recomendado e já falamos sobre esse assunto aqui no blog! É só clicar aqui para ler mais sobre o assunto!

E outros complementos só devem ser oferecidos depois dos seis meses, e para saber mais vale ler esse texto aqui sobre a transição alimentar!

Não deixe de ler na semana que vem o último post da série “Receitinhas para o insucesso na Amamentação”.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Mamadeira, copos, copinhos, colher, copo de transição!


O que usar para oferecer o leite materno ou mesmo complementos alimentares, após os seis meses, sem que atrapalhe o aleitamento materno?!

Essa é uma duvida comum de muitas mães, especialmente de mulheres trabalhadoras e ou estudantes que desejam manter o aleitamento materno exclusivo por seis meses e continuar amamentando até dois anos ou mais. A verdade é que não existe a melhor forma de oferecer o leite ordenhado ou a forma correta ou o utensílio correto. O que existe é a mulher, de posse das informações, que faz a melhor escolha para a sua família. Então o que posso dizer para ajudar, da perspectiva fonoaudiológica?

A primeira coisa que toda mãe precisa saber é que outra pessoa oferecer o leite, seja em qual utensílio for, é bem mais fácil do que a mãe fazer essa tarefa. Essa outra pessoa pode ser o pai, avó, tia, babá. Enfim, qualquer um que tenha intimidade com esse bebê, mas que não seja a mãe. De preferência com a mãe em outro quarto ou até dando uma volta no quarteirão. O motivo para isso é simples: mãe é mãe! O bebê não vai querer mamar em um utensílio sabendo que tem o peito da mãe a seu alcance. E, se o bebê chorar, até entender o que está acontecendo e como chegar ao leite, a mãe dificilmente vai dar conta de ouvir seu filho chorando por comida sem pegá-lo no colo para alimentá-lo. Por isso é bom que esteja distante.

Ai vem o segundo componente para essa história funcionar. A paciência de quem esta oferecendo o leite. É fundamental que a pessoa transmita para o bebê calma e confiança. Assim vai ficar mais fácil dele descobrir o que fazer e como fazer para chegar ao leite. Quem está oferecendo tem também que se preparar para sujar a roupa, o sofá, a cadeira, o chão... Isso é... Com certeza vai derramar leite e fazer uma confusão. A prática diminui a bagunça, que depende também um pouco do utensílio escolhido.

O terceiro componente que é fundamental para o bebê se alimentar bem é a mãe estar certa de sua
escolha, entendendo que o momento de alimentação precisa continuar sendo prazeroso (como a amamentação é para o bebê) e que o pequeno vai precisar de um período de aprendizagem. Algo como uma ou duas semanas. Tudo pode ficar mais fácil se o bebê puder observar alguém fazendo o mesmo e também se familiarizar com o utensílio, brincando com ele. Facilita também o aprendizado se não oferecer o leite quando o bebê estiver com muita fome. Se ele estiver nervoso ou chorando não vai ter paciência de descobrir como chegar ao peite.

Com essas ideias básicas em mente, hora de falar dos utensílios!

1- Mamadeira
É o mais comum e mais utilizado. Parece ser o mais prático, mas tenho minhas dúvidas, quando penso na quantidade de bactérias que o bico de uma mamadeira pode acumular, mesmo quando fervido. A verdade é que não sou muito fã de mamadeiras, como já falei aqui no blog no texto “Mamadeira causa dor de Ouvido!”.

É o utensílio mais provável de causar uma confusão de bicos. Isso quer dizer que como a sucção que o bebê faz na mamadeira é parecida com a que faz nos seios, mas sem seus benefícios (ocupar toda a cavidade oral estimulando o reflexo de deglutição e fazendo pressão adequada para o crescimento desta, além de estimular a respiração nasal e fortalecer adequadamente os músculos da face, preparando para a mastigação). Enfim, a mamadeira pode oferecer uma opção fácil demais para sugar e sair o leite e isso fazer com que o bebê se confunda com o movimento e a força que precisa fazer nos seios. E ai quando vai mamar pode ficar nervoso por não saber o que fazer e acabar largando o peito por isso. É verdade que isso não acontece com todos os bebês, mas pode acontecer, e vale a pena ser considerado.

Bom, se escolher a mamadeira deve sempre optar por um bico de silicone, com formato ortodôntico e com o furo adequado para o liquido oferecido. Isso é, nunca use o bico de látex e nunca aumente o furo do bico!

 A cima encontra-se o bico ortodôntico de silicone, mais indicado para ser utilizado com as mamadeiras. Ao lado encontra-se exemplo de mamadeiras com bico de látex e não ortodôntico que não deve ser utilizado.










2- Colher ou mamadeira colher
Com esse utensílio o bebê não vai sugar e sim sorver o leite. Como se fosse um gatinho sabe?! É só apoiar a lateral da colher no lábio inferior e deixar ele sorver aos pouquinhos.


A paciência aqui é fundamental, vai depender muito do perfil de que esta oferecendo! Na minha opinião, costuma funcionar melhor quando não é uma rotina e sim em casos pontuais e também para bebês mais novinhos, que podemos enrolá-los em um casulinho, contendo-os e mantendo-os calmos, impedindo que as mãozinhas espertas aumentem a bagunça!





3- Copo ou copinho
Pode ser um copinho específico, um copo lagoinha ou um desses copos de pinga. Funciona também pela técnica de sorver o leite, como o da colher. Pode ser mais fácil que a colher por possibilitar oferecer maior quantidade. Mas a bagunça também é grande no inicio e por isso vale a pena deixar leite extra já preparado para oferecer!

A vantagem do copinho é que os bebês em geral tem fascínio por copos, quando nos assistem bebendo, e logo vão querer imitar e até começar a segurar o copo. Lembre-se de não usar copos de plástico já que a borda deve ser firme para apoiar no lábio e a criança deve poder segurar no copo sem amassá-lo. Lembrando que ela não faz ideia da força que usa ao segurar algo antes do primeiro ou segundo ano de vida.




Tanto os copos quanto a colher forçam a posição sentada ou inclinada com a cabeça elevada, da criança. O que evita as otites, ao contrário da mamadeira.

4- Copo de transição
Esse copo possui tampa e um bico, e algumas vezes uma alça. Na tampa algumas vezes encontramos uma válvula que regula a entrada e saída de ar, evitando que pingue. A alça facilita aos bebês segurarem, aumentando logo a sua possibilidade de independência.

A parte importante aqui desse copo é como deve ser o bico. Ele deve ser no formato que chamamos de bico de pato com dois ou três furos na parte superior. Pode ser de plástico ou de silicone firme. Isso é, se apertamos é um bico durinho, que não amasse. Atenção o bico não pode se assemelhar ao bico da mamadeira e não tem a mesma consistência do bico de silicone da mamadeira.

Nesse copo de transição o bebê vai sugar, mas não a mesma sucção que faz no peito ou na mamadeira. É um sugar mais parecido com o sugar no canudinho. O canudinho é um pouco mais difícil, já que nele precisamos fazer um biquinho, o que os bebês só vão aprender mais tarde. Mas essa sucção do copo de transição eles já conseguem fazer por vota dos três ou quatro meses, especialmente depois que já tem a cabeça e o corpo mais firmes. Com os bebês a partir dos seis meses elefunciona super bem, como já falei aqui no texto sobre transição alimentar! Aqui eles também têm que ficar mais sentados para conseguir beber, evitando a otite.



A cima podemos observar o copo de transição com o formato adequado do bico de pato, com consistência do bico também adequada. Ao lado observamos um copo com o bico inadequado, uma vez que imita o bico da mamadeira.





Bom, essas são as informações para cada mãe poder tomar a melhor decisão!!! Conte para gente o que melhor funciona para a sua família e porquê.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

E verdade que amamentar deitada causa dor de ouvido??



Mães assim como vocês devem ter certeza que seu leite jamais será um leite fraco devem ter certeza que a posição da amamentação materna NÃO causa otite ou dor de ouvido!!!

E verdade que amamentar deitada causa dor de ouvido??

Tenho respondido muito essa pergunta por que pediatras desinformados e desatualizados, além dos palpiteiros de plantão, costumam colocar essa pulga atrás da orelha das mães. É quase como que criar uma situação de culpa para a mãe parar de amamentar, já que muitas vezes a posição deitada é a mais confortável, especialmente a noite.

Então, vamos entender de onde vem essa história toda. Os bebês amamentados com mamadeira têm históricos de dor de ouvido ou as chamadas otites de repetição. Já falamos desse assunto aqui no blog, no texto – Atenção!! Mamadeira causa dorde ouvido!

Isso acontece porque nos bebês a tuba auditiva, que liga a boca ao ouvido interno, com a intenção de controlar a pressão do ouvido interno é pequena e quase reta (sendo que a medida que crescemos ela vai ficando diagonal, diagonal, dificultando a passagem de líquidos), e ai quando os bebês sugam na mamadeira precisam estar deitados ou com a cabeça para trás, possibilitando a saída do liquido. E essa posição, sem pressão na sucção, que não é necessária na mamadeira, leva o liquido ao ouvido e causa otite.




O mesmo não acontece na amamentação materna. Quando o bebê pega o seio corretamente o bico do seio vai até o fundo da boquinha da pequena criança, se moldando ali naquela cavidade. Essa adaptação do seio materno e a força que o bebê precisa fazer para o leite sair criam uma pressão interna que fecha a tuba auditiva. Além do mais o leite sai do peito da mãe direto no palato mole do bebê, como um esguicho, bem atrás na boca, depois da tuba auditiva, desencadeando rapidamente o reflexo de deglutição, o que não acontece na mamadeira.

Amamentar deitada não causa dor de ouvido! Tenha certeza que se seu filho esta em amamentação materna exclusiva e têm otites, a amamentação não é a causa. As otites de repetição devem ser tratadas com muita seriedade, já que podem ate prejudicar a audição e o processamento auditivo das crianças, mas não adianta culpar a mãe para parar de amamentar. Isso não vai resolver o problema da amamentação.

A melhor posição para amamentar é aquela que mãe e bebê se sentem mais confortáveis. Sempre lembramos das dicas básicas, mas em geral as mães já tiram isso de letra com o seu próprio instinto.  Uma dica é a mãe estar com as costas, braços e pés apoiados – e se estiver deitada, vai estar apoiada, então não tem problema. Outra dica é que o peito muito cheio pode atrapalhar a pega, porque o bebê não consegue achar uma posição que o peito não tampe o narizinho. Ai como durante a amamentação a respiração é exclusivamente nasal, pode ter dificuldade, e a mãe observando isso, pode ajudar, deslocando um pouquinho para um lado ou outro. Se estiver deitada também deve ter atenção a isso, já que a distribuição do peso muda, mas não se preocupe que o bebê reclama logo logo se não estiver conseguindo pegar. A ultima dica é manter a cabecinha do bebê levemente acima do corpo dele. O que as mães fazem em geral com travesseiro ou apoio do braço. Isso porque vai facilitar a pega e otimizar a deglutição, deixando a posição do pescoço mais confortável.




Pronto! Com essas informações e dicas em mãos podem afirmar para os pediatras desatualizados e os palpiteiros de plantão que a amamentação materna exclusiva só faz bem ao seu filho e não causa dor de ouvido!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A situação das cesarianas no Brasil, um bate papo entre amigas


Lembram do e-mail da minha amiga, que publicamos aqui na semana passada? Quem não leu vale a pena ler! Acho que muitas mulheres vão se identificar com as questões que ela coloca! É só clicar aqui!

E olha só como foi a minha resposta para ela! E vocês, o que responderiam???

Oioi,
olha o primeiro passo nisso tudo você já deu, é questionar esse “status quo” que vemos hoje. Costumamos falar que saiu da matrix! Discordo da sua mãe que você pensa muito a frente! Eu também penso muito sobre como será o meu parto e o que posso fazer para garantir que ele seja meu e que eu e meu bebê sejamos respeitados!

É assustador pensar que mais da metade dos nascimentos no Brasil foram por cesariana, no ano passado. As pessoas parecem se esquecer que Cesárea não é um tipo de parto e sim uma cirurgia abdominal de alto risco. E essa cirurgia vira algo normal. É muito estranho que a OMS indique que 15% dos nascimentos é aceitável ser por cesárea, já que é uma índice de possíveis complicações, mas no Brasil temos 54%!!!



Existem as mulheres que não tem informação e acabam sendo erroneamente induzidas a uma cesárea. Como você disse, estão sensíveis e muitos se aproveitam desse momento. É muito difícil para uma mulher ouvir que seu filho pode morrer, seu bebê está sofrendo ou se esperar mais é por sua conta e risco. Sem conhecimento e sem apoio a grávida acaba optando pelo o que parece a melhor solução, mais segura, quando na verdade não é.

Muitas mulheres também tem medo dos mitos do parto normal, como a vagina vai ficar alargada ou a dor é insuportável e por ai vai. Mas na maioria das vezes elas estão pensando nos partos normais “franksteins” que vemos na TV ou que nos contam, porque as noticias ruins e cabeludas são sempre as que circulam com mais facilidade. A psicóloga que trabalha comigo no curso de gestantes costuma perguntar sempre sobre esse nosso imaginário do parto. Porque como nunca passamos por isso não conseguimos criar uma imagem real e ai, o que criamos, é a imagem da TV. Uma mulher sofrendo, desesperada, que depende de assistência médica para sobreviver. Submetida a procedimentos horríveis, que hoje já sabemos que cientificamente são desnecessários e não recomendados (como tricotomia, enema,episiostomia e outros), especialmente se acontecem sem o consentimento da mulher. Na Rede Globo uma criança nascer saudável e a mulher estar viva após o parto é praticamente um milagre.

Infelizmente também existem aquelas mulheres que optam pela cesárea por ser prático, rápido e indolor. Elas então agendam o dia do bebê nascer, de acordo com a atribulada agenda de festas e trabalho. Passam no salão antes, já que a prioridade é estar bonita nas fotos e não a saúde do bebê. E depois da cirurgia se dopam de remédios no pós operatório enquanto uma enfermeira cuida da criança. Também não amamentam e logo passam para o NAN namamadeira, já que amamentar exige tempo e dedicação. Depois contratam uma babá para cuidar do filho. Costumo dizer que são as crianças terceirizadas. Infelizmente uma realidade da nossa sociedade. Mas é exatamente por isso que falamos que precisamos mudar a forma como estamos nascendo. Uma criança que nasce assim vai viver desconectada da mãe e da família, ligada num mundo artificial. Uma mulher que pariu seu filho e sentiu a dor e o prazer desse momento tem um instinto materno de proteção. Não entrega a cria para ninguém. Éfisiológico e hormonal. É claro que não significa que quem teve cesárea não vai ser uma boa mãe, mas as escolhas e decisões começam desde a gravidez e o parto, de como cada mulher vai criar seu filho.

Agora o pior são as cesáreas por necessidade dos médicos. O que a sua GO falou não é verdade. Não tem que ser especialista em nada para fazer um parto normal ou natural e muito menos um parto na água. Aliás, os médicos e enfermeiro obstetras não fazem o parto, eles assistem ao parto, especialmente se estamos falando de um parto de baixo risco, o papel deles é mínimo. Como você disse, quem pari é a mulher e não o médico.

Temos um problema hoje que vem desde a formação médica. Muitas vezes os residentes se formam sem nunca ter feito um parto normal, dependendo do hospital em que trabalham. Ai eles tem medo do desconhecido. Medo de algo que não são eles os “super médicos com saberes inquestionáveis” que controlam. Então induzem a mulher para uma cirurgia, onde eles controlam, e fecham os olhos para as evidencias científicas que mostram os nascimentos de pré maturos (comtodas as consequências que são bem consequências, como bebês na UTI, problemasrespiratórios e outros) por cesáreas agendadas e o aumento de morte materna devido a complicações cirúrgicas.

Agora ainda tem os médicos que estão preocupados com a questão financeira e no seu interesse próprio, e não no interesse da mulher. A cesárea eles fazem em 15 minutos. Sem brincadeira, em quinze minutos já entraram e saíram do bloco. E como você pode presenciar é uma cirurgia muito invasiva, brutal e num ambiente desumano. É assustador como, próximo a feriados, especialmente como carnaval e ano novo, as taxas de cesárea sobem absurdamente. Muitos médicos não estão dispostos a acompanhar as mulheres durante o trabalho de parto, que não tem uma duração determinadas!

E ai, para induzir a cesárea ouvimos de tudo... desde que a circular de cordão pode enforcar o bebê ao nascer, a ele não esta encaixado com 29 semanas então vamos agendar a cesárea, ou ele é grande demais com 3 kg, ou sua pressão 13/08 está alta demais, você não tem passagem, não teve dilatação depois que a mulher já dilatou 5 cm... enfim... tem os absurdos que eles usam para manipular as mulheres e infelizmente as situações que eles realmente estão mau informados!

A maior tristeza de toda essa história é que essa situação que você encontra entre as mães eu pergunta sobre o parto no Teste da Orelhinha não é exclusiva de uma cidade pequena, acontece também em BH.

Aqui temos visto que o que adianta é mesmo um movimento debaixo para cima. Ou seja, mulheres informadas que começam a questionar essa situação. Pressionam os médicos, buscando o melhor para elas, buscam apoio de enfermeiras obstetras para construir equipes de parto domiciliar, constroem seu Plano de Parto, questionam os protocolos dos hospitais (como não deixar a mulhercomer, ficar no soro direto, não deixar o acompanhante sempre com a mulher).

Acho que é esse movimento que vocês têm que começar ai. Questionar mesmo, perguntar, se informar. Buscar apoio no SUS também costuma funcionar, porque minimamente tem uma política mais direcionada para o parto Normal e para a humanização.

Quem já está grávida eu aconselharia a construir um Plano de Parto, buscando informações pela internet. E ai com ele em mãos ir de médico em médico colocando o que deseja, como entende o seu parto e vendo a reação deles. Vai trocando de obstetra até encontrar um que realmente esteja disposto a trabalhar junto com a mulher.

Bjus
Lu

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Dúvidas mais comuns da amamentação


Como vou saber o tanto que meu bebê mamou no peito?

Muitas mães ficam ansiosas para saber a quantidade que o bebê mamou e assim ter certeza de que está bem amamentado. Mas esse controle não é possível com o bebê que mama no peito. Muitas vezes essa ansiedade leva algumas mães inclusive a optar pela mamadeira. Essa opção não é a solução!!! Se o leite oferecido for artificial, o bebê perde todos os benefícios do leite materno e não ganha nenhum com o leite artificial. Além de outros prejuízos que a mamadeira trás, já comentados aqui no blog (para quem não viu o post sobre mamadeira e dor de ouvido CLIQUE AQUI).

A solução é confiar na sua observação do bebê e no seu corpo. A quantidade de leite que a mãe produz vai sendo adequada com a frequência de sucção do bebê. Ou seja, segue o tamanho da necessidade de nutrição e hidratação de cada criança.

O importante é garantir que o bebê mame todo o leite de um seio. A mulher sente o seio esvaziando durante a amamentação. E aí o bebê pode mamar ainda o tanto que desejar do outro seio. Normalmente os bebês levam de 10 a 20 minutos para esvaziar um seio, mas isso pode variar de cada criança, com seu temperamento e sua idade. Por isso vale mais a observação do comportamento. Quando este se mostrar desinteressado em mamar, é porque está satisfeito.


Muitas vezes acontece dos bebês bem pequenininhos chegarem tão ansiosos e famintos para mamar, que depois de 5 minutos sentem-se saciados e exaustos, voltando a dormir. Ai ele não mamou tudo o que precisava e por isso é importante acordá-lo delicadamente, estimulando-o voltar a sugar, e não tirá-lo do peito. Com os bebês mais velhos pode acontecer também de estar muito agitado com as novidades a sua volta e por isso não conseguir manter a atenção na amamentação. Se isso acontecer, é importante buscar um lugar mai tranquilo para amamentar e assim garantir que ele mame tudo o que precisa.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Mamadeira e Dor de Ouvido

Acho que as Associações dos Pediatras e todas as mães do mundo deveriam fazer uma campanha para que passe a vir um aviso, desses bem grandes e em vermelho, colado em todas as mamadeiras vendidas.

CUIDADO! ATENÇÃO!! MAMADEIRA CAUSA DOR DE OUVIDO.

É com frequência que as mães vem me contar sobre as Otites repetitivas de seus filhos, para saber sobre as consequências delas. Ai começo dizendo que as consequências são preocupantes, mas primeiro precisamos descobrir a causa! Em cinco minutos de conversa descubro que o bebê ou criança usa mamadeira! E é batata, é só retirar a mamadeira para dois meses depois elas relatarem que as dores de ouvido desapareceram!
O que acontece é que temos um canalzinho que liga nossa boca ao nosso ouvido interno, chamado tuba auditiva. A Tuba serve para regular a pressão dentro do ouvido e está sempre alternando momentos abertos e fechados de acordo com a necessidade. Quando engolimos ela deve estar fechada, garantindo que nada caia dentro do ouvido, especialmente líquidos. Acontece que nem sempre engolimos com pressão o suficiente para ocluir a Tuba Auditiva totalmente, o que não tem muitos problemas, já que essa abertura fica em cima, e os alimentos e líquidos não vão desafiar a lei da gravidade.
O problema todo é que as crianças que tomam mamadeira fazem isso quase sempre deitadas. O modelo do frasco e a forma de segurá-lo propiciam que seja tomado deitado, juntando com a pouca pressão e força necessárias para o liquido sair, são receitas certas para o liquido trocar o caminho e passar pela tuba auditiva. Quanto mais novo o bebê, mais fácil de acontecer, já que a tuba auditiva deles é pequenininha e quase reta.
As otites de repetição em crianças podem atrapalhar o desenvolvimento auditivo delas. O que pode ser de forma leve e imperceptível (como um limiar auditivo diminuído), ou um distúrbio do processamento auditivo (dificuldade em entender e interpretar o que escuta) ou até mesmo a pequenas perdas auditivas e atrasos no desenvolvimento da fala e da linguagem. Isso quer dizer que otite é coisa séria e não adianta apenas tratar com antibiótico e esperar passar. É preciso ter atenção e evitar que se repita. Muitas crianças têm tantas otites que até mesmo se acostumam com a dor de ouvido e param de queixar-se de dor. Esses são casos mais graves ainda, onde a otite só é descoberta por acaso, com exames secundários e feitos com outros propósitos, e pode levar a consequências mais graves, como já descritas, pelo tempo em que interferem na qualidade da audição da criança.
Uma forma fácil de diminuir a ocorrência de otites é substituir as mamadeiras por copinhos com bico de pato. Esses copinhos podem ser usados a partir dos seis meses (até então não haverá necessidade, já que o melhor para bebê e mãe é a amamentação exclusiva por 6 meses) e em qualquer momento do dia ou noite. Eles também têm tampas que os tornam práticos para carregar e o seu formato, forma de segurar e a forma de sugar vão levar a criança a utilizá-los sentada ou recostada, com a cabeça acima do corpo, garantindo que nada escorregue para a tuba auditiva.
Vale aqui dois lembretes!
1-    A mamadeira a noite pode causar caries, pelo resíduo de leite ou líquidos que ficam na boca.
2-    Existem outras causas para otite que podem ocorrer isoladas ou se somar à influência da mamadeira, assim é importante acompanhar com o pediatra e descobrir as outras possíveis causas em cada situação.