Mostrando postagens com marcador cesariana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador cesariana. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Do que você tem medo?!


Semana passada falei sobre o planejamento do parto e esse assunto sempre me faz pensar nos meus medos...



É que esse momento é muito sonhado e planejado! Falar do planejamento não é difícil, mas falar do sonho... já é mais complicado... às vezes eu falo, mas ainda não consegui escrever... Acho que tenho medo de sonhar demais e idealizar demais. Sabe os casos de mães com crianças com síndromes que tem dificuldade de aceitar o filho?! Ela sonha e ama o filho idealizado, mas quando ele nasce, o filho real, com alguma deficiência, fica difícil amá-lo. Não tenho medo disso acontecer em relação ao meu filho, mas sim em relação ao meu parto.

Idealizar demais e ai, na hora das possibilidades reais, ele não ser possível, e a frustração me impedir de curtir um momento tão especial... loucura minha ou fez sentido para alguém?! É por isso que tento não sonhar, não idealizar e não escrever para não concretizar, porque assim posso me forçar a lidar com o real que a vida vai me oferecer! Um parto maravilhoso, que eu vou construir, mas que pode não ser o que sonhei...

Mais do que isso, tenho medo de que alguma indicação real de cesariana impeça que eu tenho o meu sonhado parto normal! Mas indicação real mesmo, dessas em que a situação foge das nossas mãos e pode até resultar em uma cesariana de emergência.

A Melania, no seu Blog Estuda, Melania; Estuda! Tem um texto legal sobre as indicações reais e fictícias de cesariana, quem quiser, vale a pena ler o texto todo, e para isso é só CLICAR AQUI! Mas vou colocar aqui as tais reais indicações de cesariana que tanto me dão medo!


Algumas indicações de cesariana - REAIS

1) Prolapso de cordão – com dilatação não completa;

2) Descolamento prematuro da placenta com feto vivo – fora do período expulsivo;

3) Placenta prévia parcial ou total (total ou centro-parcial);

4) Apresentação córmica (situação transversa) - durante o trabalho de parto (antes pode ser tentada a versão);

5) Ruptura de vasa praevia;

6) Herpes genital com lesão ativa no momento em que se inicia o trabalho de parto

Eu sei, que nessas situações uma cesariana será realizada para salvar a minha vida e de meu bebê, mas ainda assim, acho que vou sentir o meu parto roubado... vou agradecer a vida e a tecnologia que salva essa vida quando bem utilizada... mas e o meu parto roubado? Não sei como fica...

Outro medo ainda... é de não poder ter um parto domiciliar. Sem falar muito do meu parto, mas já há um tempo que tenho certeza de que desejo um parto domiciliar... e existem algumas situações de saúde que podem impedir um parto domiciliar... sem impedir um parto normal ou natural hospitalar, é verdade... mas acho que terei muita dificuldade em aceitar que não poderei estar na minha casa na hora do meu parto... mesmo sabendo que essa pequena mudança de local será uma garantia de saúde para mim e para meu bebê.

O Blog Parto em Casa tem um texto legal, que também vale a pena ser lido (só CLICAR AQUI!!), que explica bem quais os critérios para se ter um parto em casa. O Parto Domiciliar pode acontecer quando a gestação é de baixo risco e a gestante também. Para isso a gestante não Poe ter hipertensão, diabetes, cardiopatias, pneumopatias graves e ativas, problemas neurológicos e psiquiátricos, doenças renais, doenças hematológicas graves, infecções gerais e doenças sexualmente transmissíveis. Essa listinha não impede um parto normal, mas impede o parto domiciliar. Outras situações que também não são recomendadas o parto domiciliar são a pré eclampsia, sofrimento fetal, gestação múltipla, apresentação cefálica ou anômalas, cirurgias uterinas anteriores.

Nessas situações planejaria meu parto em um hospital humanizado, mas ainda assim... como lidar com o que não foi desejado?! E se, por estar no hospital, não conseguir o parto humanizado e cercado de amor que desejo. Será que ai meu parto também não será roubado?

Nenhuma dessas situações eu posso controlar. Não posso planejar! E por isso resolvi falar delas aqui! Colocar para fora! Impedir que se tornem fantasmas! Impedir que ele cresça e seja de alguma forma paralisador! Aprender que as decisões serão tomadas no caminhar das coisas, com o meu empoderamento e as minhas informações. Não deixar nenhuma frustração me roubar a alegria do meu parto e do meu bebê no colo.

E você? Tem medo de quê? Não que compartilhar com a gente aqui e impedir que ele te paralise na hora de tomar as decisões acertadas?

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Receitinhas para insucesso na amamentação – Parte 1


Tem muitas coisas e situações que podem levar ao insucesso na amamentação que poderiam facilmente ser evitadas se os mitos fossem quebrados com informação  Então resolvi fazer essa serie de posts enumerando o que pode levar a problemas na amamentação e como reverter isso! Veja se alguma dessas historias se parece com a sua!

1-      Acreditar que a amamentação é algo nato para a mãe e para o bebê
Na verdade a amamentação é um processo de aprendizagem para mãe e bebê. Ambos precisam aprender e adaptar-se a nova situação. É uma dinâmica exclusiva daquela dupla. A mulher precisa saber também que a sua pele têm de um tempo de adaptação natural e que no início é normal sentir dor.

Quer saber como evitar essa situação?
Dá uma conferida nesses textos aqui do blog

2-      Cesariana agendada
Esse item precisa de uma explicação delicada! Primeiro que não sou contra cesarianas, pelo contrário, quando necessárias acredito ser uma tecnologia fantástica e sou 100% a favor. E elas podem ser necessárias de emergência, intra parto ou agendada. No entanto, uma cesariana agendada invariavelmente traz dificuldades para a amamentação e a mulher precisa estar atenta a isso para que tenha sucesso na amamentação depois.

O problema é que em uma cesariana agendada o corpo da mulher não se prepara para o nascimento do bebê. O corpo está acostumado com uma quantidade de hormônios com o bebê ali e de repente, sem aviso, ele sai e muda completamente a onde de hormônios. Assim, o corpo demora um tempo para entender que o bebê nasceu, já que não teve o trabalho de parto, até começar a produzir os hormônios que facilitam a descida do leite.

Isso não significa que o leite não vai descer e muito menos que a mulher não terá leite. Nada disso! O corpo já se preparou para produzir o leite e assim que o bebê começar a sugar o colostro vai descer e posteriormente o leite. O que chamamos atenção para as situações de cesariana agendada é que a amamentação e sucção do bebê na primeira meia hora após o parto é ainda mais importante e necessária.

3-      Não amamentar na primeira hora após o parto
Quando um bebê nasce bem e saudável o ideal é que a primeira pessoa que o pegue no colo seja a mãe. Assim ele será colonizado com as bactérias da mãe. E nesse momento, de preferência na primeira meia hora ou no máximo dentre a primeira hora após o parto, é de fundamental importância colocar o bebê para sugar nos seios da mãe.

Estamos falando em sugar e não amamentar porque às vezes o colostro não vai descer naquele primeiro momento, mas não tem problema, o importante é que o bebê sugue nos seios. Nessa primeira hora ele está mais alerta e vai querer sugar, com um reflexo de sucção bem exacerbado. É nessa hora, com o peito da mãe ainda vazio e bem desperto que será mais fácil aprender como sugar e o que é a pega correta. É nessa hora que mãe e bebê se apaixonam um pelo outro, cheios de hormônios liberados durante o parto.



É com essa sucção que o corpo da mulher vai entender que pode liberar ainda mais hormônios para o leite descer, e libera também hormônios que auxiliam na expulsão da placenta.

Se a sucção não acontece nesse momento de pós parto imediato o bebê terá dificuldade depois na pega do seio, já cheio e pronto par ao leite descer. Também só vai mamar muito mais tarde, porque a partir da segunda hora que nasceu seu instinto é dormir e descansar. Mãe e bebê não podem perder esse momento de aprendizagem!


Continua na próxima semana!!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Cadeia de Intervenções


Todas as grávidas precisam conhecer a historinha da Cadeia de Intervenções Desnecessárias que levam a uma cesariana e prejudicam a amamentação. É que, às vezes, a mulher acredita estar no caminho para ter seu parto desejado e amamentar com sucesso seu bebê, mas as intervenções medicas desnecessárias acabam levando para a situação oposta do que desejavam.

Conhecer a historia para poder interrompê-la em qualquer um desses pontos é fundamental! Informação é tudo não?

A historia da cadeia de intervenções começa assim....

Marina está grávida e o médico raramente quer conversar com ela sobre o parto. Ela tem poucas informações, mas sabe que quer o parto normal. Seu obstetra diz que concorda sim, e que se der vai fazer o parto normal. (As falas variam, se quiser saber mais da postura dos obstetras da uma conferida no texto "conversinha mole").

Chega o tão esperado dia que Marina entra em trabalho de parto. Assim que a bolsa rompe, ela e o marido ligam para o médico e correm para o hospital (infelizmente ninguém contou a ela que poderia esperar, se alimentar bem, descansar e ir para o hospital só quando estivesse em trabalho de parto ativo, com as contrações mais ou menos entre 2 e 3 minutos cada).

No hospital Marina é avaliada e com o exame de toque percebem que tem apenas 3 cm de dilatação. Mesmo sabendo que no hospital ela ficará mais desconfortável, já que é um ambiente inóspito, cheio de regras e correndo o risco de exposição a diferentes tipos de bactérias, o médico resolve internar a paciente. O marido concorda com o médico, porque já que não tem informações de como um trabalho de parto ocorre, sente se inseguro de voltar com a esposa para casa, e acha que o hospital é o melhor lugar para os dois. Se ele tivesse alguém apoiando, talvez sentisse seguro para esperar em casa, mas infelizmente não conhece o trabalho de doulas, obstetrizes ou enfermeiras obstetras.

Já internada no quarto do hospital Marina sente se fora de lugar. Não sabe o que fazer e como aparentemente precisa de cuidados médicos deita-se na cama. Deitada sente muito desconforto durante as contrações. O marido, sem apoio, não sabe como ajuda-la a aliviar a dor, já que não conhece procedimentos não farmacológicos de alivio da dor (como massagens, banheira, chuveiro, bola, compressas e outros). Marina não foi informada também de que ela pode caminhar no quarto e que pode procurar uma posição que lhe seja mais confortável durante as contrações. Não sabe que essas atitudes ajudariam a manter o ritmo do trabalho de parto e acaba ficando deitada e quieta. Como esta bem desconfortável chama as enfermeiras constantemente, que muitas vezes realizam exames de toque, desconfortáveis e desnecessários, onde constatam que a dilatação não evoluiu e que o bebê, apesar de estar na posição correta, ainda está muito alto.

Marina e o marido não sabem o que essas informações significam e ficam ainda mais ansiosos. Infelizmente ninguém contou a eles que os primeiros 5 cm de dilatação são bem lentos mesmo e por isso o melhor é esperar em casa. Ninguém explicou que o bebê só começa a descer depois que a mulher dilatou os 10 cm e ele ainda estar alto agora não significa que a mulher não tem passagem. Os dois também não sabem que o ambiente desconfortável e a ansiedade inibem a produção natural de Marina de ocitocina, o hormônio que estimula a dilatação do colo do útero e as contrações.

Finalmente, depois de umas 4 horas no hospital, Marina e o marido sem comer nada até então, estão no limite de sua ansiedade, e ficam felizes quando o médico vem com uma nova intervenção. Explica que é um “sorinho” que vai ajudar Marina. O médico que nunca parou para dar muitas informações ou explicações a paciente não acha que é necessário contar que naquele “sorinho”, além de hidratar Marina que estava em jejum e sem água até aquele momento (o que não seria necessário, mas acaba virando protocolo por comodidade dos hospitais que já preveem que a mulher terminara em uma cirurgia. E como um dos efeitos colaterais da anestesia é o vomito, melhor que esteja de barriga vazia), o soro também contém ocitocina artificial.

O uso da ocitocina artificial aumenta de repente a intensidade das contrações. Ficam mais longas e mais fortes de uma hora para outra. Com um intervalo entre elas que não da nem para respirar. Mariana permanece deitada, já que agora o soro na veia limita ainda mais seus movimentos. Como não conhece os métodos não farmacológicos para alívio da dor começa a pedir desesperadamente pela anestesia. A equipe de enfermagem a avalia e afirma que ela não pode receber a anestesia ainda. O marido fica revoltado, não entende porque ninguém da a anestesia para sua esposa, já que nenhum profissional de saúde parou para explicar a ele que existe um protocolo, que a anestesia só deve ser dada ao 8cm de dilatação, para não interromper a evolução do trabalho de parto. Sem nenhum suporte, a família ainda tem que ouvir comentários como "não precisa gritar, deixa de ser exagerada” ou "agora que já fez precisa aguentar a dor”.

Com as contrações em um ritmo muito maior do que o seu corpo estava preparado para aguentar, já que quem as comanda agora é a ocitocina artificial no soro e não a ocitocina que o proprio corpo produz, Marina começa a ter dificuldades para respirar. Não sabe se faz força, ou que horas fazer força, já que ninguém a orientou quanto a perceber o puxo, que é o seu próprio corpo indicando a hora de fazer força. Com a pouca oxigenação causada por essa situação promovida pelo uso da ocitocina artificial, os batimentos cardíacos do bebê começam a diminuir e a equipe medica constata isso na próxima ausculta.

Informam então ao marido que sua esposa precisa ir para o bloco cirúrgico. Que ela não tem dilatação (esquecem de dizer que já esta com cerca de 6cm e que desse ponto em diante, se respeitado o processo natural do trabalho de parto, a dilatação seria muita mais rápida) e afirmam por fim que o bebê já está em sofrimento. Com pavor de que algo aconteça com a mulher e o filho o marido concorda com a cesariana.

A mulher vai embora sozinha para o bloco, sem o seu acompanhante de sua escolha, e o marido fica para trás para se arrumar para o bloco. A equipe rapidamente se movimenta preparando a cirurgia sem muitas explicações ao casal. Enquanto a mulher toma a anestesia algumas pessoas da equipe oferecem palavras e conforto e o marido só entra novamente após a anestesia.

O pequeno bebê é arrancado da barriga da mãe. Como foi realizada uma cesariana o cordão umbilical precisa ser cortado mediatamente, sem chance de que ele tenha seu tempo para aprender a respirar e sem poder receber o restante do sangue da placenta, prevenindo uma futura anemia. O primeiro a pegar o bebê é o pediatra, e não a mãe (que não vê nada, tendo as mãos amarradas e um pano a sua frente) ou o pai (que se divide entre tirar fotos do bebê e contar a esposa o que esta acontecendo). O pediatra precisa aspirar o bebê que, por não ter passado pelo canal de parto, tem ainda muito liquido amniótico no pulmão. O bebê que não teve seu sistema sensório motor preparado pelo toque no canal de parto durante as contrações, e por isso chora, desorientado com o primeiro toque na sua pele, uma toalha áspera.

Como os batimentos estavam baixos antes de nascer e pode ter alguma dificuldade respiratória, como consequência da própria cesariana e da anestesia, o bebê é enrolado no pano e a mãe pode apenas dar um beijo desajeitado no seu filho. Não consegue pegá-lo ou abraçá-lo. Ainda não pode conferir se tem todos os dedos e o quão perfeitinho é. O bebê é levado para observação para receber oxigênio. A nova mãe fica lá, sozinha, sendo costurada após a extensa cirurgia abdominal que passou.

Mais de três horas depois, no quarto, é que os novos pais vão se encontrar com o seu bebê. A mãe sente dores na cirurgia abdominal e mal consegue se mover na cama, precisa de ajuda até para ir ao banheiro. Os seios estão cheios, inchado e doendo, já que o colostro se preparou para descer com os hormônios do parto, mas o bebê não sugou. Pai e mãe recebem o bebê enroladinho e limpinho, dormindo. O momento mais desperto após o parto já passou e agora ele precisa dormir, talvez tenha até recebido leite artificial ou água glicosada na mamadeira quando estava no berçário, se aquecendo  em uma incubadora (quando poderia ser aquecido pelo contato pele a pele com a mãe). Ele não sugou na primeira meia hora após o parto, então não aproveitou o momento em que o peito da mãe estava mais vazio e seu reflexo de sucção aumentado para aprender a pega correta e aprender a sugar.

Quando finalmente acorda a mãe tenta sentar desajeitadamente na cama para oferecer o peito. O peito cheio já dificulta a pega do seu pequeno filho. Ele suga só um pouco, mas parece não sair muito leite. As enfermeiras oferecem pouco suporte já que tem muitas outras atividades e acabam introduzindo o leite artificial ao bebê. Pronto, esta armada uma receita para um insucesso na amamentação.

Dois dias depois a nova família esta em casa e agora vai descobrir sozinha como cuidar e amamentar seu filho. Talvez ela seja forte o suficiente para não ter uma depressão pós parto, talvez ela seja determinada em amamentar seu filho, sabendo dos benefícios. Talvez sem muitas intervenções e com apoio da família ela possa seguir seus instintos e tenha sucesso na amamentação. Mas esse capítulo vamos deixar para um próximo post!

A parte boa dessa historia? Que mãe e bebê estão em casa juntos, felizes e saudáveis.

O que tem de ruim? O parto, que deveria ser um momento de amor, alegria e empoderamento da mulher que trás seu filhos ao mundo, foi um momento de dor, angustia e medo. A mulher teve o parto que desejou roubado. Talvez ela nem fique sabendo que a cesariana e as dificuldades na amamentação foram causadas por intervenções desnecessárias no seu parto e que sua historia poderia ter sido muito diferente. Talvez ela nem entenda de onde vem o vazio que sente. Mas talvez ela consiga buscar mais informações, sair da matrix como dizem as mulheres, e consiga, em uma próxima gravidez, o seu sonhado parto, curando as feridas deixadas por esse momento que lhe foi roubado.

Essa historia se parece com alguma que você já ouviu? Ou talvez se pareça com a sua historia! Levante-se, grite e empodere-se. Interrompa essa cadeia de intervenções em qualquer um dos pontos e recupere o seu parto.