sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A importância da função Paterna na vida de um filho!

Percebo que hoje os pais estão muito mais participativos no lar. Homens que antes se preocupavam apenas em prover o lar estão voltando seu olhar para a família e para os relacionamentos. Vemos homens fazendo cursos de casal grávido com interesse em aprender como cuidar de um bebê e auxiliar a esposa, vemos pais indo à reunião escolar de seus filhos, levando-os para as atividades físicas, estudando com eles, ou seja, muito mais presentes e participativos.  Antes a função de cuidar e educar os filhos era apenas da mulher, pois  esta ficava em casa e se dedicava ao lar e à prole. Com a entrada da mulher no mercado de trabalho, percebo que houve uma transição no que diz respeito às funções e à própria relação em família. A mulher hoje trabalha por que gosta e para colaborar financeiramente em casa. Assim como esta mudança trouxe para a mulher mais autonomia, identidade e liberdade trouxe também para o homem a possibilidade de fazer contato com seus sentimentos e de se relacionar mais efetivamente e afetivamente com seus filhos.
Penso que a mulher que já obteve tantas conquistas precisa refletir que o lugar do Pai é dele por direito e dever. Acho que toda a mudança que houve historicamente no que tange o lugar da mulher traz alguns riscos. Vemos mulheres com a crença de que se tiverem um filho por produção independente poderão suprir a criança sendo mãe e pai. Outras vezes, a mulher não dando passagem ao homem para executar sua função de pai, acaba por promover uma referência para a criança de um pai invisível, incompetente e muitas vezes dispensável.
A imagem do pai é imprescindível para o desenvolvimento psicológico equilibrado dos filhos. O pai, com efeito, seria uma espécie de mediador entre o filho e a realidade. Permite ao filho tomar iniciativas e aprender a distinguir entre o certo e o errado e, a partir disso, entender as conseqüências de uma ou outra escolha.
Se o pai chega em casa e não se interessa pelo dia de seu filho e ainda fica com a cabeça ligada ao trabalho, por mais que esteja presente em casa  não está verdadeiramente com seu filho, está apenas de corpo presente. A intimidade com a criança é que aumenta o vinculo nesta relação e reflete no comportamento da criança.

A função paterna (que pode ser desempenhada pelo pai ou por alguém do sistema familiar ex: tio, avô) é de grande importância na vida de uma criança, é o pai que representa a lei para o filho através da organização, estrutura e autoridade. E esses componentes estão ligados ao crescimento, ao aprendizado, amadurecimento e a compreensão de regras e limites. Essa função é desempenhada quando se ensina a criança, quando se dá o limite e ensina regras, quando se ensina a guardar objetos, consertar algo, executar tarefas e etc.
Vivemos em uma sociedade onde vemos chacinas como em Realengo, índios sendo queimados, políticos corruptos, uso e abuso de drogas e a lista se estende. Tempo sem lei, tempo dos fora da lei. O papel do pai precisa ser valorizado e executado. O pai precisa fazer vale o seu lugar, um lugar que é seu por direito e dever.
A criança precisa de referência e aquisição de valores, e o pai pode colaborar muito nesta construção. Ele não é a versão masculina da mãe ele é o PAI. Precisa dispor de tempo para conhecer e relacionar com esse filho e isto pode ser feito através de brincadeiras, leitura, conversas, rolar no chão, executar tarefas diárias entre outras.  Devemos considerar que se a relação entre o casal de  pais for saudável, a criança terá a possibilidade de internalizar as referências das funções materna e paterna de forma adequada, o que ajudará em seus relacionamentos afetivos e sociais no futuro.
O pai não deve ficar no lugar de substituto da mãe, cada um tem sua função no sistema familiar mesmo que o casal não esteja mais vivendo junto. Neste caso, deve-se ter muito cuidado, pois se os pais não estão mais juntos como casal devem manter suas funções materna e paterna independentemente disso. Vemos mães que não dão acesso ao pai para executar sua função, desqualificando-o e tirando seu valor. A criança fica no meio de um fogo cruzado e sem referência na vida. Os pais ficam mais interessados na briga, não digerem o que motivou a separação, sobram as raivas, as mágoas e a criança confusa.
O pai é o parceiro da mãe na construção da identidade do filho e no desenvolvimento da sua personalidade e nada mais justo que cada um se respeite e que não tire a autoridade e a importância do outro.
Desejamos a todos os pais um Feliz dia dos Pais !!!
Fernanda Seabra 04/18317 Psicoterapeuta Familiar Sistêmica

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Papai vendo o filho nascer

A cena é a seguinte: mamãe no centro cirúrgico dando à luz. O papai na sala de espera está nervoso e parando todo e qualquer ser que se veste de branco para perguntar se seu filho já nasceu e se está tudo bem com o bebê e sua mulher.

Essa era o roteiro que se repetia toda vez que uma mulher entrava em trabalho de parto. Isso mesmo, ERA! Essa cena agora está mudando.

O que se pode ver nas maternidades de hoje em dia são papais participando e muito dentro das salas de parto lado a lado com a mamãe, compartilhando de todas as emoções que o nascimento de um filho pode trazer.

Para um papai chegar à sala de parto, não adianta simplesmente chegar no dia do bebê nascer e querer entrar no centro cirúrgico. Um papai despreparado pode mais atrapalhar do que ajudar nesse momento.

Sem preparativos, ele pode ficar muito nervoso e desmaiar, tendo que ser atendido. Nesses casos, o pai certamente atrapalhará os procedimentos médicos, podendo até contaminar objetos que serão utilizados na realização do parto.

Um papai estará preparado para entrar na sala de parto quando é um pai participativo da gestação da sua mulher. Aquele que vai às consultas do pré-natal, viu o ultrassom e escutou os batimentos do coraçãozinho do seu filho, realizou os desejos da sua mulher durante a gravidez, freqüentou o curso para gestantes e se informou de como seria a hora do parto e suas intercorrências.

É aquele pai que de tanto seguir os conselhos acaba sentindo até enjôos. Não precisamos exagerar!

Cuidados – Além dele estar preparado, deve haver o consenso entre médico, mamãe e papai. Algumas mamães não se sentem à vontade em ter o papai ao seu lado. Outros papais acham que não vão agüentar caso se deparem com “sangue”.

Dependendo da evolução da gestação, se for uma gravidez de risco, o médico pode proibir por haver risco de complicações.

Havendo o consenso, o papai trará segurança e proteção para a mamãe que estará em trabalho de parto.

O papai tem um papel de proteção e segurança dentro da sala de parto, segurando a mão da mamãe, olhando-a nos olhos, organizando sua respiração com momentos de força e relaxamento.

A presença do papai na sala de parto pode facilitar que este se sinta parte de todo o processo de nascimento, construindo e internalizando seu papel de pai para que cada dia seu vínculo com a mamãe e com o bebê se torne mais forte.
Dicas

Saber com o médico que realizará o parto e sobre todos os procedimentos que serão realizados para que a ansiedade e nervosismo não atrapalhem na hora.

Papai, não se sinta pressionado a fazer o que não quer. Se você acha que não está preparado para estar na sala de parto com sua mulher, não vá. Uma boa conversa com a mamãe fará com que ela entenda que você poderá só atrapalhar.

Caso a maternidade cobre ou proíba a entrada do papai na sala de parto, procure seu direito, pois a Lei 11.108 de abril de 2005 regulamenta a presença do acompanhante.
Fonte: Revista Mater life  22 dezembro, 2010

Dicas Acalanto - Viajando com bebês e crianças

Viajar com crianças é sempre um desafio. Seja de carro, ônibus ou avião, sem uma boa organização a viagem pode acabar virando motivo de estresse para as crianças, mães, pais e até para os demais viajantes.


Então para evitar estresses e promover viagens agradáveis, vamos a algumas dicas para ajudar as mães a se organizarem, de acordo com os gostos da sua família e o passeio.

Em qualquer vigem...

- Respeitar os horários da rotina da família. Escolhendo horários para viajar, considerando a duração desta e assim buscando o melhor horário de saída e chegada.

- Buscar formas para manter os horários de dormir das crianças.

- Planejar atividades/brincadeiras para distrais as crianças. Pensar em atividades que possam ser coletivas, envolvendo toda a família, e levar brinquedos que sejam práticos para carregar. Não deixe de planejar muitas atividades diferentes e ter varias cartas na manga, já que quanto menor a criança menor o tempo de atenção dela. Ah! Uma máxima para lembrar sempre: Crianças entediadas causam muitas confusões, crianças entretidas se divertem e aprendem ao mesmo tempo!

- Levar lanches e sucos para o percurso. O tipo de comida vai depender da idade das crianças, do meio de transporte e do tempo da viagem. No carro vale levar um pequeno isopor com sanduiches e sucos de caixinha, papinhas caseiras bem armazenadas e frutas. Nos transportes coletivos lembrar sempre dos recipientes adequados e fáceis de carregar. De qualquer forma, é sempre importante lembrar de levar lanches nutritivos e práticos, que já façam parte do hábito alimentar da família.

- Fazer combinados com as crianças mais velhas do que se espera do comportamento delas, incluindo o tempo de viajem, quando ficar sentada, falar baixo, respeitar os outros viajantes.

- Observar sempre se as crianças não estão incomodando os demais viajantes, buscando pedirdes culpas e licenças, etc. o que melhora bastante o humor das pessoas e sua tolerância com possíveis choros imprevistos.

- Se a criança começar a interagir com outros viajantes observar se este está disposto e qual o seu limite, permitindo a interação e ajuda até o limite do outro.

Viajando de Carro...

- Usar a paisagem, a estrada e músicas no rádio (levar sequencias de músicas que as crianças já conheçam).

- Garantir que as crianças fiquem sentadas nas cadeirinhas adequadas para cada idade.

- Planejar as paradas para as refeições principais, em locais adequados para receber famílias.

Viajando de ônibus, avião ou outros transportes coletivos...

- Organizar com antecedência os documentos necessários para viajar com crianças, certidões de nascimento e autorização dos pais, de acordo com cada tipo de viajem. Para saber mais sobre o assunto CLIQUE AQUI.

- Observar quantidade de sacolas e malas que serão levadas, buscando reduzir ao máximo o número de volumes, pensando no que será possível carregar, considerando que as crianças precisam ser carregadas em muitos momentos e/ou estar sempre de mãos dadas, especialmente em lugares públicos como rodoviárias e aeroportos. Uma boa dica é carregar as crianças em slings ou wraps, o que deixa as mãos livres.

No Avião...

- Atenção para os momentos de decolagem e pouso, em que a criança deve permanecer sentada com sinto de segurança ou no colo. Nesse momento o que mais incomoda é a diferença de pressão no ouvido que pode causar dor. Crianças que mamam no peito, devem estar sugando nesse momento para evitar que sintam dor e fiquem irritados.

- Durante o percurso, quando sem turbulência, é possível as crianças transitarem pelo corredor. Ai é importante acompanhar a criança nesse deslocamento, evitando que perturbe outros passageiros ou interrompa o trabalho dos comissários de bordo.

No Ônibus...

- O maior desafio é manter a criança sentada durante todo o percurso, garantindo assim a sua segurança. Aqui o desafio é maior para evitar que a criança fique entediada, e explicar que não podem caminhar no ônibus. Cantar músicas, contar histórias e brinquedos que não tenham muitas peças pequenas são ideias legais nesse momento.

- Muitas vezes as paradas dos ônibus não são adequadas para as famílias, por isso é importante estar preparada, especialmente em relação ao tipo de alimentação, trocas de fraldas e roupas e idas ao banheiro.

Essas dicas simples podem tornar o passeio de toda a família muito mais tranquilo!!!!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Dúvidas mais comuns da amamentação


Quando mais nova fiz cirurgia nos seios (retirada de nódulos, redução dos seios, colocar silicone, etc), isso pode atrapalhar na amamentação?



Os canais que levam o leite das glândulas até o bico dos seios são muito sensíveis e frágeis, pelo seu pequeno tamanho. Assim, qualquer cirurgia na mama, especialmente as que cortam próximo ao mamilo ou aréola, mas também as que utilizam outras técnicas (muitas vezes propagandeadas como não intervindo na amamentação) também podem dificultar ou impedir a amamentação. Isso acontece porque os canaizinhos podem se romper e, uma vez isso ocorrendo, está interrompida a passagem do leite.

Atenção para o fato de que a mulher não perde a capacidade de produzir o leite e sim de levar o leite produzido até o mamilo. Esse rompimento pode acontecer com todos os canaizinhos, impedindo a amamentação, ou apenas com alguns, dificultando a amamentação e aumentando as chances da mulher ter mastite, pelo entupimento de um dos canais.

Vale lembrar também que nosso corpo é uma caixinha de surpresas, então esses canaizinhos depois de rompidos podem se regenerar, mas não há como saber disso antes da mulher começar a amamentação.
Isso não significa que as mulheres nunca devem fazer cirurgia nos seios. Significa apenas que é importante a mulher ter essa informação para poder tomar as suas decisões adequadamente, além de poder ajustar as suas expectativas e buscar apoio adequado quando ficar grávida, quanto à amamentação.

sábado, 6 de agosto de 2011

Histórias de Sucesso de Amamentação


Mães que enfrentaram dificuldades 
e conseguiram amamentar seus bebês

A ideia aqui é contar rapidamente algumas histórias de superação e sucesso na amamentação que já passaram pela equipe Acalanto e, assim, com o exemplo, apoiar as mulheres a continuar com o Aleitamento Materno. Seguindo aquela dica da OMS (quem não leu o post sobre as dicas CLIQUE AQUI) de que a amamentação é um processo de aprendizado, para mãe e bebê, e buscar apoio nesse período é muito importante.

Uma Mulher/Mãe adolescente

Diante de uma gravidez inesperada uma menina transforma-se em mulher e mãe. Com muita informação, conseguiu seu parto desejado. Satisfação ainda no contato imediato pele a pele e amamentação na primeira hora de vida. Mas, diante de um recém nascido viu-se com dificuldade na amamentação. Quando o bebê não conseguia realizar a pega correta mostrava-se nervoso e a mãe o retirava do seio. No entanto, o desejo do aleitamento materno era grande e ela correu atrás de apoio. Buscou apoio com doula, fonoaudióloga e listas de discussão na internet. Ainda assim a ansiedade crescia e a amamentação ainda não parecia um processo tranquilo para os dois. Buscou então apoio do Banco de Leite. Algumas semanas depois a mãe já se considerava bem sucedida na amamentação e sentia-se satisfeita por conseguir alimentar seu bebê com prazer e amor. O melhor certificado de todos, o prazer da mãe e do bebê durante a amamentação.

Uma vida muito esperada

Uma gravidez que tem o significado de vida para essa mulher. Um bebê muito desejado que chegou com um parto natural de sucesso. A mãe orgulhosa, sentiu-se completa com o sucesso da amamentação na primeira hora de vida do seu bebê e pelas duas semanas seguintes. O leite abundante para o pequeno que mamava vorazmente. Mas dificuldades surgiram. O peito muito cheio dificultava a pega correta e a pele sensível da mãe acabou rachando. Com fissuras grandes nos dois seios a dor durante a amamentação era quase insuportável. A família ajudou, com uso de ervas naturais no bico do seio para diminuir a dor e estimular a cicatrização natural da pele. Em seguida a doula e fonoaudióloga orienta, em visita, a manter o local seco e expor ao sol para facilitar a cicatrização, esvaziar o peito antes de iniciar a mamada para facilitar a pega correta e a não interromper o aleitamento materno, garantindo a nutrição do bebê e também evitando o empedramento do leite. Essas dicas e outras técnicas, como a ordenha, foram aplicadas por duas semanas, com orientação próxima da fono e apoio da família. Dois meses depois, a amamentação é um sucesso e a nova mãe passa inclusive a doar leite para o Banco de Leite.

Confiança, calma, determinação, mais uma mulher que atinge o sucesso na amamentação

Uma história que começa com uma cesárea. Desnecessária talvez? Um bebê que só vai ter contato com a mãe 3 horas após o parto, quando mama pela primeira vez. Uma mulher sozinha, sem um acompanhante na enfermaria (com seu direito desrespeitado), recuperando-se de uma cirurgia, encontra grandes dificuldades de oferecer os seios ao bebê ansioso pelo leite. Com muita calma e confiança, com apoio da família e da fonoaudiologia, a mulher continua com a amamentação exclusiva. Recusa-se a oferecer outros alimentos e enfrenta os momentos de dor. Logo o Aleitamento Materno mostra a que veio. O bebê cresce saudável e a mãe satisfeita. As dificuldades ficaram para trás, dando lugar a um momento de amor e dedicação entre mãe e bebê. O aleitamento materno é exclusivo por seis meses e continuado.

Enfrentando o inesperado

Uma mulher que entra em trabalho de parto antes do momento esperado. Um encaminhamento para cesárea e a chegada de um bebê prematuro. Felizmente uma criança sem nenhuma complicação da prematuridade. Mas, que só tem contato com a mãe 7 horas após o parto. Uma mãe muito ansiosa com a situação inesperada e sentindo-se mau com os efeitos colaterais da anestesia. O bebê tem dificuldade de realizar a pega e iniciar a amamentação, o que atrasa a descida do leite. Uma equipe de enfermagem despreparada (talvez?) que oferece o leite artificial na mamadeira ao bebê, sem continuar apoiando a mulher a iniciar o aleitamento antes de sair do hospital. Desespero e ansiedade da família no momento da alta, incerteza da capacidade de alimentar seu bebê. Uma noite de muito choro, do bebê e da mãe, dificuldade de oferecer o peito e o leite artificial. A família busca então apoio na fonoaudiologia, que após avaliação observa o excelente reflexo de sucção do bebê e a possibilidade de descida do leite da mãe. A proposta é uma técnica simples, iniciar a sucção no seio por meio da Relactação. Após orientar e acalmar a família, ajudando a garantir o momento de vínculo mãe e bebê a situação já é um sucesso. O pai parece aliviado em garantir a alimentação de seu bebê. Apenas 36 horas depois do início da Relactação um telefonema que confirma o sucesso total da intervenção. O leite já desceu, uma grande quantidade de colostro. A mãe radiante é novamente orientada. 15 dias depois o aleitamento materno exclusivo está estabelecido e é um sucesso, confirmado por mãe satisfeita, bebê que ganha peso e é tranquilo, e pelo pai que mostra-se radiante.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O Parto e a mídia

Essa semana acompanhei em uma novela um parto e fiquei muito incomodada com a representação e caracterização colocada!

A novela é Malhação, da Rede Globo, voltada para o publico adolescente. E, por isso mesmo, com frequência aborda de forma lúdica e interessante temas que permeiam a adolescência e a vida do dia, promovendo um importante espaço de disseminação da informação. Mas dessa vez a novela não conseguiu cumprir o papel informativo e sim piorar a desinformação entre as adolescentes.

O tema da gravidez na adolescência é recorrente em Malhação e permite discutir métodos contraceptivos, doenças sexualmente transmissíveis, os desafios de uma adolescente diante da gravidez e muitos outros temas. Como é uma novela, no final todas as questões se acertam em um final feliz para os participantes, e era esse o rumo que a história de Maicon e Babi estava tomando.

Infelizmente, em nome do sensacionalismo midiático, resolveram pintar o parto como um momento de horror. A cena do parto, com um médico empurrando a barriga da Babi e a personagem como uma mulher apavorada, e posteriormente, os comentários de irresponsabilidade, colocando o parto normal como algo ruim e extremamente arriscado, foi deplorável.


E como nós mulheres, não temos nenhuma imagem de parto formada antes de passarmos por um, o que nos apropriamos é o que passa na mídia.

Fiquei indignada com o quadro pintado, pensando como as questões poderiam ter sido abordadas de forma positiva, colocando as dificuldades e desafios da gravidez na adolescência, mas destacando como uma mulher informada pode ter um parto seguro, a importância do pré natal, incentivando a amamentação na primeira hora de vida do bebê, incentivando o alojamento conjunto nas maternidades, discutindo a questão da licença paternidade.

Uma grande oportunidade perdida de promover a saúde materno infantil exatamente na Semana Mundial da Amamentação.

Sei que cenas assim são as comuns nas novelas. Mas resolvi manifestar a minha indignação. Quem sabe se todas nós, mulheres bem informadas e empoderadas, nos manifestarmos diante de todos os “partos franksteins” apresentados como normais na televisão, não conseguimos mudar uma ou outra cena, e talvez ganhar um pequeno espaço na luta pela humanização do parto.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Aspectos psicológicos da amamentação

 Quando a mãe escolhe a maneira que vai alimentar seu bebê,expressa nessa decisão, influências do seu estilo de vida,da sua história pessoal, de sua personalidade e da sociedade que vive.
A despeito dos esforços da indústria de alimentos vender a ideia de que o leite em pó equivale ao leite humano, as pesquisas demonstram a superioridade do leite materno. Cerca de cem componentes já foram identificados e estão presentes em proporções e composição química bastante diferente das do leite de vaca.
O leite materno é suficiente para amamentar o bebê até seis meses de vida, não precisando suplementar com outros alimentos antes da hora. Outra vantagem do leite materno é que no colostro existem anticorpos, o que inibe doenças infecciosas.

O bebê que é colocado no seio da mãe logo após seu nascimento tem a possibilidade de reduzir o efeito traumático da separação provocada pelo parto.
Para uma boa amamentação é necessário que a mãe esteja calma, confiante, tranquila e que tenha persistência pois,o início deste processo é complexo. Por outro lado,o medo, a depressão tensão, cansaço e ansiedade tendem a provocar o fracasso da amamentação.

As emoções podem influenciar na secreção láctea de várias maneiras: reduzindo diretamente o fluxo de sangue para os seios,reduzindo a sucção do bebê (que estimula a produção de leite),e favorecendo o estabelecimento de procedimentos prejudiciais como,por exemplo, limpar os mamilos com sabão, passar cremes sem orientação médica e entre outros.
É preciso que se tenha um ambiente favorável, que transmita apoio e encorajamento. Entra aqui o trabalho da Doula que tem a função de dar assitência à mãe (antes do parto, durante e no pós parto) ao desempenhar suas novas funções.

É um ótimo momento para o pai colaborar nos cuidados com o filho, o que dá para mãe a sensação de segurança e apoio. O pai pode ajudar a colocar o bebê da forma adequada no colo da mãe, pode cuidar dela ,por exemplo, levando água para ela ao amamentar ( amamentar provoca muita sede) e colocando o bebê para arrotar ao término da mamada. Esse é o momento em que o pai sente que tem valor,que está incluído no processo como companheiro e pai.

Amamentar não é um comportamento instintivo, exige paciência e persistência. Isso precisa ser falado, pois nas imagens veiculadas na mídia sempre vemos mulheres amamentado com facilidade e sorriso nos lábios. Muitas mães ao se depararem com dificuldades ao amamentar sentem-se frustradas acreditando não serem boas mães e desistem .
A amamentação não é apenas um processo fisiológico de alimentar o bebê , envolve um padrão mais amplo de  comunicação psicossocial entre mãe e bebê e pode ser uma excelente oportunidade de aprofundar o contato e suavizar o trauma  da separação provocada pelo parto.

Ao ser alimentado, o bebê literalmente volta para o corpo da mãe e reelabora aos poucos a separação. Na amamentação há contado de pele entra mãe e bebê, a mãe olha para o bebê e transmite seu afeto,há o prazer estimulado pela sucção e aprofundamento do vínculo.
Vemos muitas mulheres que tem medo de aprofundar esse vínculo e preferem a mamadeira por medo de se entregarem,medo de  se sentirem presas, perderem a estética dos seios e perderem a própria identidade. Algumas nem tentam por medo de fracassarem.

Caso você tenha alguma dificuldade em amamentar procure centros especializados como bancos de leite e profissionais que poderão auxiliar você nesse momento tão importante (enfermeiros, fonoaudiólogos, psicólogos etc.). Se você tentou, persistiu e ainda assim não conseguiu amamentar, não se culpe, pois você pode construir o vínculo com seu bebê de outras formas.


Fernanda Seabra - psicóloga 04/18317
Fonte: Livro Psicologia da Gravidez - texto adaptado